Many years ago…

Lembro como se fosse ontem, quando eu, aos 11 anos, frequentava a Biblioteca Pública de minha cidade.

Eu entrava, passava 15 minutos entre as estantes, olhando as lombadas e lendo as sinopses. Escolhia um título ou dois (já lia muito livro decente de ficção!), passava no balcão, e ficava olhando enquanto a atendente preenchia minha ficha de leitora, com o título, a data de empréstimo e a data de devolução. E eu ainda tinha que assinar a saída, para provar minha responsabilidade na devolução daquele item tão precioso!

BPN
Biblioteca Pública de Niterói… não era bonita assim quando eu frequentava, não…

No final das contas, eu lia muito. Descobri títulos e autores que nunca imaginaria, histórias estupendas. Mesmo com a sensação de pequeneza que me transpassava quando estava na biblioteca (“Oh Meu Pai, eu nunca vou conseguir ler tudo isso… e eu quero TANTO!!”), eu conseguia me guiar, e ia desbravando as estantes mais altas e mais baixas, fuçando os esconderijos onde passaria minhas próximas horas submersa.

Eu lia quase 50 livros por ano, e em alguns anos, mais que isso. Emendava um no outro, não parava nem para respirar. Virava noites debruçada nas páginas, muitas vezes só conseguia pregar o olho quando chegava ao final.

Eu tenho uns mil livros em formato digital, remanescentes do torrent de um blog que fechou (me julguem!!), assim como títulos das “ebook stores” atuais (sem nomes, eles já têm propaganda suficiente). Hoje eu trabalho e ganho meu dinheiro, mais do que o necessário para minha sobrevivência – o que quer dizer que sobra bastante para comprar… livros!!

Moro agora em uma cidade com Bibliotecas e salas de leitura em cada bairro (Curitiba, te amo, sua linda! Smack! ). Isso não deveria me deixar feliz? Tantos livros bons à disposição, tanta coisa legal para ler!!! É ótimo… só que não!

Eu fico imobilizada.

Paralisada.

Estupefata.

(mais alguns adjetivos cabem aqui).

Hoje o caminho é mais ou menos assim:

“Quero ler um livro > deixa ver nos meus digitais > nhé, só olhando os títulos não tem graça… deixa olhar no skoob > [2 horas e 30 minutos depois] > é, não sei, acho que vou ler esse aqui… ou esse aqui…. ou aquele lá… o que falaram desse mesmo? > [mais 30 minutos] > Ok, vou ler esse aqui > [20 páginas depois] > nhé, não me prendeu. Próximo!!!”

Acho que isso é um pouco do chamam hoje de FOMO, aquela síndrome de estar perdendo alguma coisa importante. Se antes haviam muitos livros à disposição, hoje há ainda mais; se antes um livro podia se dar ao luxo de começar meio parado, hoje não pode mais: se não encantar nas primeiras páginas, eu tenho que ir para o próximo da lista! Afinal, o tempo é curto, a vida urge, e eu não posso perder tempo com isso se tem uma fila INTERMINÁVEL de coisas para ler ainda!!!

Mesmo os clássicos. Mesmo os livros que eu sempre quis ler, que já conheço a história, e adoro; os livros que te recomendam e você sabe que pode gostar. Aí entram os paliativos. “Não gostei muito, vou pular algumas páginas para terminar logo”. “Deixa eu ler a resenha – e se já disser o que há no final, melhor, que dependendo do que for, eu nem preciso ler!”

Não me reconheço mais. O esforço de escolher um livro, e depois, a odisseia para lê-lo inteiro, está acabando comigo. Então como fazer, com tantas escolhas? Como reacender a chama da minha paixão pelas letrinhas, sem pirar na batatinha, sem abandonar livros potencialmente bons?

Aqui minha saga para esvaziar a cabeça desses pensamentos “subversivos”, que me afastam do amor à leitura! E a recuperar o amor pela profissão que eu escolhi: a de levar o livro ao seu leitor, e o leitor ao seu livro.

Veremos como me saio 😉

2 comentários

  1. Eu também uso esse artifício! Tenho meus queridinhos,que me fazem lembrar como livro é bom 🙂 Espero que goste aqui do meu cafofo… não prometo muita linearidade, mas provavelmente haverá muita sinceridade, rsrs

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  2. Ótima postagem, já estou seguindo o blog!
    Eu também sinto que com o passar dos anos fui lendo cada vez menos, infelizmente. E algumas vezes fico numa inércia literária difícil de vencer… a solução pra me reanimar com as leituras é fazer uma releitura de algum livro favorito, sempre “volto” revigorado dessas releituras e ansioso para conhecer novas obras.

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