Porque você lê o que você lê?

Eu comecei a ler muito cedo, e sempre fui uma leitora voraz. Li a coleção Vagalume, a coleção “Os Karas” do Pedro Bandeira, Meu pé de laranja lima (êta livro que me fez chorar!). Toda a coleção do Monteiro Lobato. Todas as coleções infantis.

Via minha mãe lendo aqueles livros grandes, com muitas páginas

Mãe posso ler esse livro aí? É sobre o que?

Quando você crescer mais minha filha, tem coisa aqui que você ainda não pode ler“.

Quando fiz 12 anos eu li a coleção do Sidney Sheldon inteira. Com 14 já tinha passado pelas Brumas de Avalon e pela série Darkover, da Marion Zimmer Bradley. Com 16, Anne Rice, nas Crônicas vampirescas e nas Bruxas Mayfair. Nunca deixei de ler infantojuvenil: acompanhei Harry Potter desde o lançamento, li a coleção do Artemis Fowl. Leio chick lit desde a época das coleções Julia e Sabrina, que vendiam nas bancas. Me enveredei pelo terror médico do Robin Cook, e leio Asimov desde que nem entendia, por influência do meu pai. Ficção científica é um bálsamo para meus olhinhos.

E porque raios eu tô falando tudo isso?

Eu acompanho de longe a blogosfera, os blogs sobre livros, há muito tempo. E às vezes eu fico muito impressionada em como os livros comentados são semelhantes na maioria deles! Todo mundo lê as séries X e Z. Todo mundo tira fotos dos mesmos livros Y. Os book haul estão por vezes tão semelhantes, que eu começo a ler um post e penso “ué, mas eu já não li isso?”

É claro que sei que isso é um “fenômeno” causado por um conjunto de fatores: indicação entre pessoas, assédio da mídia, moda (sim, livros também entram e saem de moda, assim como estilos de roupa). Não digo isso sem conhecimento de causa, eu estudei isso oficialmente, sentada em cadeirinhas e com professores e colegas, durante o mestrado.

Isso não é uma coisa ruim. Eu mesma li a maioria dos livros que tenho visto por aí. E acho que cada um deve ler mesmo o que quiser! Eu nunca fui daquelas “do contra”, que torce nariz para best-seller, e tem mania de falar “Veja bem (…)” (conhece pessoas “veja bem”? é uma teoria extensa que o F. me apresentou, depois aprofundo). Eu a-mo best-seller. Acho que se tá todo mundo lendo é porque tem algum motivo, e leio também, pois devem – repito, DEVEM – ser bons.

Eu adoro as novas séries de “YA” – um termo bonito (só porque é estrangeiro?) para infantojuvenil – que misturam fantasia, ficção. Aquele monte de séries de anjos, de bruxas, de metamorfos, princesas, zumbis, animais extraordinários. Gosto do escritor mais prolífico do mundo, Stephen King. Gosto de ficção fantástica adulta.

Mas… você não acha que a gente pode ir um pouco além? Um pouco mais longe, um pouco mais variado?

Não estou dizendo que as pessoas precisam se ater aos clássicos. Que precisam se obrigar a ler coisas muito fora da curva a qual estão acostumadas a caminhar. Você não precisa ler Homero, não se obrigue a ler Dostoiévski. Mas não precisamos ficar agarrados aos mesmo livros, certo?

Essa uniformidade latente só incomoda a mim?

Além de leitora (de livros e de blogs), eu sou bibliotecária. Onde trabalho existem 100 mil títulos técnicos e 6 mil títulos de ficção. Desses, eu vejo os mesmos 90 “da moda” ficarem desbeiçados de tanto uso; alguns já foram enviados para a encadernação 4, 5 vezes. Enquanto os outros ficam sem ser emprestados, ou sequer manuseados, por anos a fio. Você podia estender a mão e pegar, o livro ao lado daquele famoso; mas é desconhecido, então fica lá, tadinho.
Porque você lê o que você lê?
Vamos ler MAIS livros, visitar a biblioteca?

Para você pensar:

* Gosta de Stephen King? É ótimo! E se você gosta de terror, já tentou ler o Joe Hill, filho dele, que escreve muito, muito bem também (Nosferatu, Estrada da noite)? Ou o John Lindqvist (Melodia do mal, Deixe-me entrar)? Pegue referências diferentes em sites, como o Biblioteca do Terror

* Gosta de policial? Que tal ir além do do Stieg Larsson (Trilogia Millennium),e procurar outros autores noruegueses – considerados hoje expoentes do suspense e do policial? Jo Nesbo, Lars Kepler, Anne Holt. Outros como Tess Gerritsen, ou os já conhecidos Michael Connelly e John Grisham.

Vamos abrir a cabeça, gentes! Encher as páginas dos blogs com variedade, dar opção para nossas conexões cerebrais. Continue a ler todos os bestsellers. Todos os livros famosos, todas as séries que pipocam em todos os sites. Mas se dê o direito de pensar diferente, às vezes. Exercite a imaginação, vai buscar alguma novidade.

1dbb3-photogrid_1444253419603
Vamos ler livros diferentes, fora do mainstream?

Tem taaaaanto livro nas livrarias e bibliotecas. Para quê se ater aos 90 títulos desbeiçados?

Um comentário

  1. Gostei de conhecer um pouco sobre sua jornada literária.
    Concordo com suas opiniões, e sempre torço o nariz quando ouço o termo YA (GENTE! É literatura infanto-juvenil e pronto!), parece que as pessoas pensam que usar um termo estrangeiro eleva a coisa, quando na verdade não… E também tenho essa sensação de “tá todo mundo lendo/comentando/resenhando o mesmo livro/autor/estilo literário”…

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s