Ainda acerca do Book Haul, ou "meu dinheiro não dá em árvore"

Recebi um email levemente malcriado sobre o assunto (discussão começou aqui) e, assim, gentes: ninguém precisa concordar comigo. Opinião é igual a bunda: cada um tem a sua, e dá quem quer – você só não pode obrigar ninguém a aceitar o que está oferecendo. E a minha opinião, construída sobre minhas experiências e prioridades, é que não, eu não quero gastar tanto dinheiro com livros.

Assim que me vi livre da obrigação autoimposta do mestrado, eu voltei a ler como uma louca; e pela primeira vez, a comprar livros como uma louca. Queria escrever sobre eles, queria dividir minha opinião sobre a história, falar com gente que tem os mesmos interesses que eu. Comecei a olhar os blogs, a buscar o que estavam escrevendo sobre, e percebi que:

A. eu estava muito “defasada” em matéria de lançamentos literários

B. o Princípio de Pareto (ou a regra 80/20) se aplica ao mundinho literário que encontrei (80% das pessoas falando sobre 20% dos livros)

C. a maioria dos livros citados, muito recentes, teriam que ser comprados, pois não estariam nas bibliotecas.

E eu fui, feliz, para essa forca financeira sem fundo que é COMPRAR LIVROS. Um vício. A sensação de chegar algo novo pelo correio, que você escolheu, que você quer… é bom demais, né? Mas escoa muito rápido. E você nem sempre lê tudo aquilo de uma vez. Eu tenho mais de uma coleção, que custaram um PUTA DINHEIRO, e tão lá, ainda praticamente intocadas. E eu não quero doar, porque “ainda vou ler, claro! Assim que terminar esses outros 795 lançamentos que comprei e chegaram ontem”.
Mas, assim…
…é dinheiro. Por mais que você tenha, e possa gastar com isso, é dinheiro. “Ah, Paulla, mas 70 reais de livros por mês não vão me levar à falência“. Verdade, e nem a mim, thanks God! Hoje eu poderia me dar ao luxo de uma cota mensal de livros, superior a isso, inclusive – coisa que até o ano passado eu não podia. Mas se você fizer a conta, 70 por mês é R$ 840 por ano, o que paga as minhas passagens promocionais para Buenos Aires nas férias :). Ou posso guardar para a amortização das parcelas da casa que quero comprar.
Mas aí eu vou ficar sem ler aquele livro que eu PRECISO pra viver???“. Depende. Se o livro não for tão novo, você pode pegar na biblioteca. Vai ler o livro, absorver o conteúdo, e devolver, para que outras pessoas também possam lê-lo. E quanto mais gente ler, mais pessoas por aí que podem discuti-lo com você, olha que beleza! Se for muito novo, aí você decide o quanto compensa sua vontade. Você pode pegar emprestado com o coleguinha, talvez.
[O problema é que grande parte das pessoas que compram livros tem ciúme deles, e não os emprestam com medo de serem danificados. Eu entendo. Eu também já fiz isso. Eu já tive amizades estremecidas por falta de cuidado com algum livro muito querido (então eu percebi que não vale a pena perder um amigo, mesmo que meio estabanado, por um bem material – mas isso é outro papo).]
A maior parte dos clássicos estão nas bibliotecas. Algum colega meu menos “nóiado” pode me emprestar um livro dos mais recentes. E se eu quiser muito ler um livro muito novo, e não quiser comprar, eu posso fazer como sempre fiz: tirar uma tarde pra sentar numa livraria e ir lendo.
É claro que cada um tem suas prioridades e necessidades. Ás vezes sua prioridade é ter dois mil livros em uma sala, para se trancar nela e se deixar levar. Às vezes é casar, para outros é comprar uma bicicleta. Minha prioridade é ter a menor quantidade de coisas para me preocupar em organizar e arrumar e limpar; para me sobrar mais tempo de qualidade para namorar, cozinhar, e, inclusive, ler – no parque, na pracinha, no sofá.
Casinha pequena sobre rodas
Casa dos meus sonhos: não cabem muitos livros, mas dá pra estacionar do lado da biblioteca 😀
Eu só não posso me deixar levar pela histeria coletiva do “PRECISO DESSE LIVRO AGORA!”.

5 comentários

  1. Ôxi, e se não é, né? Meu marido sempre fala que não pode nem pensar em começar uma coleção de vinis, porque é provável que gaste toda sua fortuna (cof cof!) em discos 😛

    Curtir

  2. Eu só tive essa consciência de que tava gastando demais com certas coisas quando comecei a planilhar meus gastos. Aí você vê mesmo que aquela saidinha com passada na livraria faz você gastar R$150 que não deveria… Mas é assim mesmo, tem que ter muita força de vontade para não comprar, rsrsrs
    Com o tempo a gente aprende a priorizar (ou não)… ou a necessidade de sair, de viajar fala mais alto do que a dos livros. Às vezes eu fraquejo (muito!), é um exercício constante, rsrsrs

    Curtir

  3. Novamente amei a reflexão.
    É interessante pois eu gosto justamente por ter esse problema, eu gosto muito de ter os livros aqui e gostaria de ter a minha biblioteca particular. Se isso vai mudar com o tempo, não sei, mas é como você disse: a prioridade é ter tempo para viajar, passear, viver. Talvez eu deveria estar guardando dinheiro pra viajar, já que nunca saí nem mesmo do estado.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s