Meme This is Library

As 5 maiores reclamações sobre bibliotecas (e minhas respostas)

1. “Não fica aberta a hora que eu quero”

Lá fora é muito comum, mas no Brasil ainda é difícil, Falta gente para trabalhar, gente para frequentar, verba para manter. Mas há esperança, como o projeto da Biblioteca Mário de Andrade em São Paulo. Enquanto não rola, tente se planejar para ir uma vez por semana, na hora do almoço. Dá para pesquisar a maioria dos acervos online, e já ir sabendo o que vai pegar. No sábado pela manhã. Incluir no passeio semanal.

2. “Não tem exatamente o que/como eu quero ler” (recente / gênero / tempo de empréstimo)

 

Recentes:

Geralmente, não tem mesmo, vamos admitir. Não o último lançamento da Darkside Books, por exemplo. Literatura recente, quentinha, saída do forno, geralmente é mais cara, e as bibliotecas precisam trabalhar com orçamentos apertados e espaços físicos mais apertados ainda. Se a biblioteca for pequena, mais difícil. Mas as maiores, sempre tem alguma coisa mais nova. A Biblioteca Pública do Paraná, por exemplo tem um dos melhores acervos de ficção que já vi – e olha, eu vi foi acervo, hein?

Fora que, mesmo que os livros sejam comprados, eles precisam ser processados tecnicamente – catalogados e incluídos no sistema – o que pode demorar mais do que nosso coraçãozinho leitor aguenta, eu entendo. Mas tentem ser pacientes, vão lendo todos os outros livros da sua lista, que com certeza algum tem na biblioteca 😉

Gênero:

Olha, dificilmente a biblioteca vai ter NADA que você goste. Sempre tem uns suspenses, uns de terror, policial, comédia, brasileiros, poesia. Pode não ter autores que você conhece. Mas, primeiro, você não é o centro do mundo. E, segundo, é uma ótima oportunidade para ler algum autor diferente, não?

É claro que bibliotecas ultraespecializadas provavelmente não terão literatura de ficção (de Medicina, de Engenharia, de órgãos institucionais, como a Embrapa), mas aí você vai estar pedindo demais.

Tempo de empréstimo:

“SÓ QUINZE DIAS???”

Geralmente 15 dias são suficientes; e para um leitor voraz, dá e sobra. Se você ainda está se acostumando com a leitura, talvez precise de mais tempo, então você faz o quê? RENOVA o raio do livro, e continua com ele por mais quinze dias. É comum poder renovar um livro inúmeras vezes, até que alguém que também queira ler o reserve. Aí você tem que devolver, e esperar a pessoa terminar para pegar de novo. Tipo revezar aparelho na academia, sabe? Mas geralmente isso só rola com bestseller. Na biblioteca onde trabalho você nunca acha “50 tons”; só tem um exemplar, e ele nunca está lá 😛

3. “Não são ‘meus’ livros”

Não, não são.

Pense assim: você está fazendo uma bibliotequinha. Se você tem poucos livros, é provável que lembre bem de tudo que tem, e que ame as histórias. Mas se você tem, sei lá, duzentos livros. Trezentos, mais de quinhentos, como eu já tive. Com certeza tem livro ali que você não vai ler de novo. Eu adoro reler livros, reli Harry Potter trocentas vezes. Mas tem tanto livro inédito que eu quero ler, que se ficar repetindo livro eu não leio os novos. Então os que já li e não vou reler, ficam fazendo o que na estante? NADA. Juntando poeira.

Você pode ficar “apenas” um certo tempo com o livro, porque outras pessoas também querem lê-lo. Nossa geração precisa aprender a lidar com a coletividade. Diferente do livro comprado, que entra na pilha de “leituras futuras”, os livros das bibliotecas precisam ser devolvidos, para encontrarem outros leitores – e precisam ser lidos com prioridade, portanto.

A biblioteca serve para colocar à disposição de muitas pessoas livros que cada um geralmente só lê uma única vez. O acervo é mantido por outras pessoas (menos preocupação para você), é variado, e está lá, à disposição. Para você, que pode comprar seu livro – mas não quer gastar; e para quem não pode comprar. Com o preço de duas passagens (uma para ir, uma para voltar), você pode pegar dois, três livros, dependendo da biblioteca. É mais barato que muito frete por aí.

PS. Só para lembrar: se a biblioteca é pública, você paga com seus impostos, junto com todos os brasileiros. Se é particular, e você usa (como a de faculdades privadas), é LITERALMENTE você quem está pagando. Ou seja, os livros não são SÓ seus, mas são seus TAMBÉM.

PS.2. Eu imagino que qualquer pessoa que leia isso, aqui, tem o mínimo de dinheiro para comprar livros, da mesma forma que tem internet. Mas eu sempre gosto de lembrar (até do local que eu me criei na infância) que alguns não tem dinheiro para comer, para supérfluos, para nada além da sobrevivência. E que R$ 9,90 num livro pode ser muito.

4. “Só não gosto de bibliotecas”

 

Você chega em um espaço com trocentos livros, e pode emprestar simplesmente QUALQUER UM. Já pensou nisso? Sem ter que planejar para juntar as moedinhas? Sem ter que se preocupar em onde vai guardar aquele “mais um” item; se vai ter espaço na estante. A curadoria do acervo é boa, tem autores que você conhece e que você pode descobrir.

Pensando em todas essas vantagens, e nos pontos acima, a pergunta que não quer calar é: você não gosta ou você não tem o costume?

[Adendo: Como me lembrou o marido: episódio de “New adventures of old Christine”, em que ela diz “Não gosto de bibliotecas públicas, elas têm muito mendigo”. Se você também pensa assim, seria bom repensar muita coisa, não só o costume de ir à biblioteca…]

5. [insira aqui sua reclamação]

Você pode falar o que quiser, pode ter várias reclamações, é seu direito. Ficar insatisfeito, não gostar de alguma coisa: do acervo, do atendimento, da localização da biblioteca. Mas antes de reclamar horrores, bater a porta, e falar que nunca mais volta lá, tente pensar duas vezes. Você pode dar sugestões para o acervo, participar de alguma forma. Se você paga a faculdade, pode tentar mudar alguma coisa de forma mais contundente. Reclame, sim, mas PARTICIPE primeiro. Não reclame sem saber do que está falando. Não fale que “é ruim” sem ter provado.

Você não tem mais 5 anos, e biblioteca não é brócolis.

2 comentários

  1. É sempre uma pena quando não tem uma biblioteca perto, né? Eu morava em uma cidade do RJ que não tinha biblioteca… só na cidade vizinha, pouco mais de uma hora de ônibus.
    Moro onde estou hoje também por causa da abundância de bibliotecas: mais cultura, mais livros – e mais emprego para mim, certo? Visto que sou o que sou, rsrsrs 😉

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  2. Adorei a postagem! É muito interessante conhecer a opinião de alguém que esteja inserido nessa realidade pra falar. Confesso que já usei algumas dessas desculpas em algum ponto, mas atualmente gosto muito das bibliotecas (só não tem perto da minha casa D:).

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