Os deuses subterrâneos, Cristovam Buarque

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Título: Os Deuses Subterrâneos: uma fábula pós-moderna

Autor: Cristovam Buarque (sim, ele mesmo, nosso ex-ministro!)

Editora: Record

Páginas:  301 p.

Ano: 2.ed. 2005 (1.ed. 1994)

Formato da leitura: em papel

Resumo: [Não encontrei um resumo que realmente resumisse o texto. O que vem na orelha do livro é muita “lambeção” de um outro autor sobre “como o Cristovam escreveu ma-ra-vi-lho-sa-men-te”. Não vou copiar aqui ipsis literis para não desanimar as pessoas – porque o livro é bastante bom]

Opinião: O livro foi lido em 2013, e alguns detalhes já não estão frescos na minha cabeça. Então porque resolvi escrever logo sobre ele, dois anos depois?

Porque a impressão que tive sobre ele foi tão forte, que mesmo dois anos depois, a história ainda me volta a memória, e eu penso: “Ô louco, meu!”

A história do livro se passa em torno de Hamilton. Professor universitário, considerado muito sério, começa a namorar uma aluna da universidade em que trabalha – A Universidade de Brasília. Ela apresenta a ele uma teoria muito estranha sobre ETs, e que eles estariam “entre nós”, que teriam uma base localizada aqui no Brasil.

Obviamente que Hamilton ri disso. Principalmente porque a ideia é que eles se escondem na terra (dentro da), em um certo local do Planalto central. A menina (Camila) quer porque quer ir até lá, ver com seus próprios olhos – um local onde pessoas desaparecem e retornam sem lembrar dos dias sumidos (abdução? loucura? muita maconha?); e convence o sério professor, que está louco para agradar a guria, a ir junto.

A partir daí, pessoas somem, verdades aparecem, o professor fica maluco com a história – seja querendo provar sua verdade, seja querendo provar sua mentira – a polícia federal é acionada, a polícia internacional também.

Afinal, e se as coisas não forem como parecem? E se nós, seres humanos, é que formos os intrusos?

Não vou falar mais da história, porque a partir daí tudo é uma surpresa. Pelo menos foi, para mim. Achei muito bem construído. O que a política internacional tem haver com a teoria da conspiração de supostos seres embaixo da terra, no meio de uma comunidade rural no planalto central? O que os russos e americanos tem com isso? E o aquecimento global, desmatamento? O ser humano tem consciência do que está fazendo? A gente costuma se achar os Umbigos do Universos, mas e se não for bem assim?

Meio que deu um “tilt” no meu cérebro, e eu nem sei porquê. Assim que terminei de ler, nem sabia se tinha mesmo gostado da história… mas o tempo foi passando… – para você ver, lido em 2013; de lá para cá já li mais de 100 livros, alguns eu não lembro, alguns desceram como água, e já foram pelo ralo do meu cérebro. Mas esse… esse ficou.

Sei que é um livro difícil de achar, mas se puderem, leiam. A gente costuma exaltar as distopias estrangeiras, mas tem essa do “nosso quintal”, e que quase ninguém conhece.

Eu não conseguia tirá-lo da minha estante, como se ele precisasse ficar ali para eu me convencer que não inventei a história. Agora ele vai para novas mãos, um novo leitor – e fico feliz, porque sei que achei alguém que vai valorizar a história 😉

Leiam, por favor. E depois venham discutir comigo.

4 comentários

  1. Está. Em promoção na Amazon. Me interessava só pelo lado politico dele, mas depois do seu comentário vou comprar. Valeu, tudo de bom.

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  2. Paulla, li o livro, e antes de mais nada muito obrigado pelo presente! Realmente o que acontece na leitura a principio é um tilt no cérebro do leitor. Talvez assim como você, precisarei de alguns anos para processar todo o enredo desse livro. O que posso afirmar, por hora, é que o autor foi muito inteligente em (re)inventar uma história para a origem do homem (ou seria do androide? haha), nunca vi nada parecido, e achei incrível a forma como ele mistura explicações já existentes para a origem do homem, com sua própria fábula. Pra encerrar (embora creia que eu irei retornar a esse livro mais vezes) deixo um dos meus trechos favoritos do livro, omiti uma parte que julgo ser spoiler:

    “O infinito está limitado pela distância até onde chega o olhar. Aquele que não é capaz de imaginar além de onde vê pensa ver tudo.O poder absoluto é limitado pelos desejos de quem o exerce […] A onisciência está no limite das perguntas que fazemos. Tudo sabíamos porque perguntávamos pouco; tudo podíamos porque não desejávamos além do que o nosso poder permitia.” (p.256)

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  3. É muito legal, e a história ganha contornos que você não espera, sabe? Eu adorei.
    Sobre a Menina Submersa: mon amour, só em… não sei quando. Pós-dissertação. Mas te avisa assim que ler 🙂

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  4. Caramba, parece realmente incrível! Daria um filme e tanto. Apesar que teu jeito de escrever é tão cativante que acho que você me convenceria a ler até um livro ruim! hahahah
    Falando nisso, quero muito saber a sua opinião sobre A Menina Submersa.

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