Sobre a vida acadêmica #1: Graduaç(ões)ão

Vira e mexe um dos meus 3 fiéis leitores (bj, amo vocês!) me faz alguma pergunta sobre meu mestrado, aka. motivo para que minha gastrite esteja consumindo meu estômago.  E eu vivo relutando em escrever sobre, porque mexer com minha vida acadêmica é equivalente a mexer com um vespeiro, com vespas muito, muito, MUUUITO irritadas.

Pois bem, vou tentar sanar as principais dúvidas… MAAAS antes, lavar as mã (ninguém aí via Castelo Rá-Tim-Bum, né?) um breve comentário sobre minha vida acadêmica.

AVISO: O POST ESTÁ GI-GAN-TE

 

“SENTA, que lá vem a história…!”
Graduação.

Eu levei 8 anos para me formar. #prontofalei !! Entre idas, vindas, e 4 fases de vida acadêmica. Descritas muito sucintamente (rá!):

FASE 1: Biblioteconomia

Eu passei para biblioteconomia no meu primeiro vestibular. Fiquei em 10º na reclassificação, na verdade, mas fui chamada na primeira leva. O curso não é muito concorrido, mas especialmente naquele ano a relação candidato vaga subiu de 4/vaga para 12/vaga. Why not?
Passei para a UFF, a Federal Fluminense, em 2005. Comecei o curso bem – ao contrário de muitos coleguinhas, não estava perdida, nem um pouco; sabia exatamente porque estava ali, já conhecia o curso antes. Era integral, ou seja, eu tinha aulas de manhã, de tarde & à noite. E eram aulas, AULAS. Filosofia, Sociologia no Desenvolvimento do Brasil, Literatura em Língua Portuguesa XVII (cancioneiros em português antigo, saca?). A grade era maravilhosa – depois da reforma de 2011 ficou uma meleca, e eu posso afirmar porque, como vou contar, peguei as duas grades, rsrs.

Fui morar em república. Saí à noite pelas primeiras vezes na vida (até os 18 eu tinha que estar às dez da noite em casa). Matei aula. Tomei uns porres – a UFF, para quem não conhece, desemboca na Praça da Cantareira, que se resume à bares. Muitos bares. Fui em muitos congressos. Mas estudei bastante, viu? Eu sempre gostei de estudar (SEMPRE), e para mim era um prazer. Estagiei muito, desde o primeiro dia de aula (déficit na área, gentes).

Quando cheguei ao sexto período, no auge dos meus 19 anos, eu peguei nojinho do curso. Estagiei em muitas instituições públicas, e via o pessoal parado, com cara de bunda, sentado no trono de seus cargos e sem querer fazer mais nada na vida – e isso me desanimou muito. Pensei “não quero ficar assim!”. Com a nota do ENEM de 2010 [na época a nota era em centena, e meu aproveitamento foi muito bom – tirei 84 na prova e 100 na redação – sim, eu gabaritei (ou, como dizem os jovens de hoje, “Lacrei!”), ôh yeah!] eu me candidatei ao curso de Relações Internacionais numa particular – PROUNI 100%, que minha família nunca teve dinheiro. Passei. Mas para isso eu não podia ter vínculo ALGUM com universidade pública, então o que eu fiz? CANCELEI a matrícula da UFF.

Issaí. Eu não tranquei, eu não poderia “destrancar” em dois anos. Eu cancelei, forever. Olha o tamanho da minha raivinha!

FASE 2: Relações Internacionais

Não tem muito o que falar. Fiz um semestre numa instituição cheia de filhinhos de papai zona-sul de Niterói (niteroienses saberão!). Fiz algumas amizades, mas já me sentia meio “dinossaura” na sala – só pirralho criado à leite com pera, sabe? Quando o bichinho da ambição estudantil me picou de verdade, eu descobri que queria fazer Adm. Queria ser foda na área em que via as coisas acontecerem – leio a Você S/A desde os treze anos, acho que subiu à cabeça – e resolvi mudar de instituição. Again.

FASE 3: Administração

Consegui bolsa 100%, PROUNI no IBMEC RJ, para fazer Administração. Ali estavam os que podiam se gabar do dinheiro do Papi, de verdade. Estudei com filho do dono do Itaú, do Unibanco (bem na época da fusão, foi uma loucura); de donos de Haras, cavalos; sobrinhos de ministros, filhos de diplomatas.
A faculdade era uma nota (PUC, sorry, mas sua mensalidade é fichinha perto da deles…), o pessoal “dava um pulinho em Los Angeles” no fds. Simples assim. Eu não tinha dinheiro para passagem, e ficava sem almoçar. Fiz um acordo: ensinava matéria, e eles me pagavam o almoço. Fiz muito trabalho e coloquei nome dos meus coleguinhas de turma. Eram legais, mas a minha realidade era totalmente diferente da deles.

Precisava de dinheiro, era esforçada… comecei a encher o saco dos professores para arrumar alguma grana, me indicarem algum trampo… me indicaram sim, mas para algo muito maior do que eu poderia abocanhar: trabalhar com projetos para o IPEA [se não sabem o que é, taca no Google, deixem de ser preguiçosos!]. Foi ali que vi que: a) eu não tinha cacife nenhum pra isso e b) EU NÃO QUERIA MESMO FAZER ISSO.

Não me entendam mal, mas eu tinha 20 anos! Tava confusa pacas. Meu irmão era formado em ADM, minha cunhada. Meu pai se formou, depois dos 45, em Adm portuária. Mas eu vi que, para ser realmente boa na área, eu ia trabalhar 14 horas por dia, eu ia engolir muito mais sapos do que sou capaz, e sim, eu ia levar um estilo de vida que não condiz com o que acho certo, com o que eu queria (tendências ripongas sempre existiram na minha vida, beibe). Não é preguiça de dar o máximo. Era preguiça de dar o máximo no que EU não acho importante. E engordar caixas de empresas que vendem produtos que EU não apoio (destruição ambiental, testes em animais, junk food), contribuir com padrões de beleza que EU não aceito… comecei a sentir falta dos meus livros

FASE 3,5: O LIMBO

Sim, eu tranquei ADM, não rolava mais. Passei o ano de 2010 “fazendo nada”, cansada da vida, chorosa e chata. Conheci meu (hoje marido) namorado nos fins de 2009, e ele sempre me apoiou, muito (ele não me lê aqui, mas BJ, F., TE AMO!!) Fui trabalhar com telemarketing, para ganhar o mínimo de dinheiro para me manter – e me senti no fundo do poço. Sério. Mitinga do cocô do cavalo do bandido. No meio do ano, comecei a prestar consultoria na área de organização de acervo, e fiquei mais felizinha. A coisa boa de toda essa “circulação” era a enorme rede de contatos que construí :P. Mas ainda não sabia o que fazer. Foi um ano e meio no LIMBO.

E o limbo machuca, gente.

Você ver seus coleguinhas se formando. Minha turma da UFF não apenas se formou, mas abriu um concurso logo depois, grande, e metade da turma passou. Formados & empregados. E eu lá, no limbo.

FASE 4: Biblioteconomia… de novo? DE NOVO!

No fim de 2010, eu decidi: ia voltar pra UFF, pra Biblio. MAS eu cancelei minha matrícula – e mesmo assim, já haviam se passado três anos, eu teria passado o prazo de reingresso. OU SEJA, tive que prestar vestibular. De novo. Enferrujada. Mas fiz. E passei em 3º lugar. E gabaritei a redação. É nóix na fita, tamo junto!

O retorno foi absolutamente diferente. Já estava morando com o namorido, tinha uma casa pra cuidar; não rolava mais ficar bebendo da rua. O currículo tinha mudado, eu tive que refazer praticamente TODAS as disciplinas. Tiraram toda a parte humanística que eu amava. Mas fiz. Dois anos e meio de curso. Peguei duas greves (não uma, DUAS. As duas maiores das federais até então).

No último período eu já tava tão desesperada para acabar logo que eu peguei 10 disciplinas e o TCC. Quase morri. Muitas específicas, e o meu curso sempre pediu muita leitura. Muito artigo científico, muito. O TCC ficou com 119 páginas (mas morro de vergonha dele, ficou ó… uma merda. Por mim, podia queimar todas as cópias). Eu só queria terminar logo, ir para o mercado.

Em 2013 eu já havia terminado as disciplinas, só estava esperando a colação para arrumar um emprego (pagando mal e longe de casa, provavelmente) na área. Só queria distância dos livros…

VEJA BEM, eu entrei na UFF em 2005. Me formei em 2013. 8 ANOS. O-I-T-O A-N-O-S. Pena da minha mãe que ficou apreensiva o tempo todo, rsrs.

Biblio, my love *_*

Até havia cogitado o mestrado, mas estava muito cansada… e em julho eu descartei a possibilidade. Acompanhei a abertura do edital, as vagas… mas não me mexi para fazer. Em agosto, faltando uma semana para terminar as inscrições, eu decidi fazer o raio da prova!

Ou seja, eu tinha uma semana. UMA SEMANA (eu gosto de viver perigosamente 😛 ) para pensar no tema, encontrar orientadora, escrever a carta de apresentação, montar um projeto fundamentado de oito páginas, tirar cópia de tudo que eu precisasse e levar lá.

Mas isso é assunto para o outro post. Coming soon. 😉

2 comentários

  1. Nossa, eu demorei para entrar no seu blog, acompanhava mais pelo instagram. Muito bacana sua trajetória. eu me vi quando você relatou o momento no limbo, é uma fase tensa. Mas ainda bem que passa. Ainda estou impressionada com o fato de você ter montado seu projeto de metrado em poucos dias. Quero consultoria. hahahaha

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  2. Paulla, muito obrigado por atender seus fiéis leitores e escrever sobre o assunto. Iríamos te questionar em quase todas as postagens até que você cedesse! muhaha
    Gostei muito de conhecer sua vida acadêmica, e compreendo muito bem essa sensação de desanimo enquanto faz o curso, mas o importante é que tudo isso te ajudou, de uma forma ou de outra, na sua vida pessoal, profissional e acadêmica. Boa sorte no mestrado!!!

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