Sobre a vida acadêmica #suplemento1: Observações necessárias

Antes de falar sobre o processo do mestrado em si, acho justo incluir alguns comentários e avisos.

Eu vejo gente que fica se descabelando por causa da prova do mestrado. Pessoas que tentam há anos e não conseguem passar. Pessoas que falam que foi a prova mais difícil da vida.

Eu passei de primeira, lá com meus esforços.

E antes que falem qualquer coisa, algumas observações extremamente necessárias.

1. A área do meu curso não é tão concorrida quanto algumas outras que conheço; no ano em que eu entrei, foram 82 candidatos inscrito para o máximo de 25 vagas – adendo: diferentemente da universidade pública, em que todas as vagas vão sendo preenchidas enquanto der, os programas de mestrado não precisam ocupar todas as vagas; ou seja, se passarem apenas 15 com “cacife” para cursar, as outras dez vagas ficarão ociosas mesmo.

2. Eu não sou super mulher, não sou CDF (um pouquinho, vai), não tô dizendo que é fácil pra ninguém. Com o tempo, você aprende como você rende mais, como absorve conteúdo, como as coisas funcionam para você; e como eu sempre gostei de estudar – e de permanecer estudando, mesmo nas férias, mesmo sem obrigação – e escrevo muito bem (elogio de professoras do mestrado, viu?), eu tenho facilidade com provas discursivas e absorção de conteúdo, mesmo (e principalmente) sobre pressão.

3. Não venham me julgar por minha forma de fazer as coisas. Eu sei que o planejamento de longo prazo é o melhor, que você deve dar suor em busca dos seus sonhos e objetivos. A forma como eu escolho/decido as minhas coisas é problema MEU, ok? Não gostou, feche a página – não precisa encher minha caixa de e-mail de baboseiras. Também não venham desmerecer dizendo “mas o seu é fácil”. O meu é fácil, para mim, que sei a matéria. Saiba a matéria da sua área que fica mais fácil pra você também (mané!)

Aviso 2, sobre meu modus operandi para produção técnica-acadêmica

   Eu tinha apenas uma semana para preparar tudo o que a banca solicitou. E eu tenho um enorme defeito. Além do “brasileiro deixa sempre pra última hora”, o problema é que me dou “bem” assim. Não em termos de prazos estritos – e uma hora eu posso me ferrar muito com isso; mas em termos de produção mesmo. Quanto mais curto o prazo, mais rápido as ideias concatenam na minha cabeça, e eu consigo emitir um produto de qualidade. Mesmo. Eu vivo me culpando por isso, acho horroroso, parece que não me esforcei. Mas, como meu marido [que me conhece nisso melhor que eu, diga-se de passagem] gosta de lembrar, eu realmente trabalho assim, SEMPRE.

   Por que é bom frisar? Porque tem gente que deixa pra última hora e faz um trabalho super porcaria, que fica aquém do esperado, e depois fica resmungando que teve pouco tempo. Meu processo é outro. Se eu tenho um mês de prazo, eu vou sentar todos os dias para estudar, vou ler, e geralmente não consigo escrever, nadica de nada. Fico o mês inteiro sentando com o Word na minha cara, sem sair uma palavra, sem fazer as ideias se ligarem para virarem um texto decente. Na última semana, já meio desesperada com o prazo, parece que liga uma chave na minha cabeça, e VUUUUSHHH!, sai tudo pro papel de uma vez. Meio como um vômito, sabe? Rsrsrs. E é assim quase que desde sempre.

   Eu fiz o projeto do mestrado assim (tirei 9, melhor nota entre os projetos; beijin no ombro, ó :* ); fiz duas provas para docência (9,8 e 10 unânime na banca, beijin no ombro² :*), e o documento da qualificação da dissertação; agora a própria dissertação tá meio que saindo assim também.

   Não digo que está certo, muito pelo contrário. Eu ainda brigo, sempre, para estabelecer uma rotina de estudo e fazer meu cérebro parar de se ligar em prazos para resolver funcionar. Mas isso é um aprendizado construído, com o qual ainda tenho dificuldades. Aprender a estudar me dá tanto prazer quanto estudar propriamente as disciplinas – adoro fichas, resumos, mindmaps, leitura de artigos, livros, softwares de auxílio… Na hora de produzir, de transformar todo esse conhecimento em algo novo, aí é que são elas.

Então, é isso, alguns avisos prévios, para quando eu falar da seleção do mestrado, em si, ninguém ficar de papagaiada no meu ouvido. 😛

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s