Sobre a vida acadêmica #2: Seleção do mestrado

O mestrado que eu escolhi foi o de Ciência da Informação, pelo convênio UFRJ/IBICT. Por que esse foi o escolhido?

1. a outra opção de CI no Rio era o da UFF. Como eu só fiquei nessa instituição 5 lindos aninhos, somando indas e vindas (contei sobre aqui), eu achei que estava mais do que na hora de mudar de ares. Tem gente que cria vínculos de pesquisa com o orientador da graduação ou outro professor próximo, e quer levar a pesquisa adiante; não foi meu caso. Essa área já é tão pequena, eu queria respirar novos ares, conhecer outros professores, outro estilo de docência.

2. O IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia) é um dos órgãos mais conhecidos nessa área; foi o responsável pelo primeiro Mestrado em CI do país, praticamente apenas com professores estrangeiros, na época; e continua muito influente na área – então eu queria a experiência dessa instituição no meu currículo

3. Tem uma área de pesquisa que eu gosto muito, voltada para impactos socioeconômicos da informação *_*

AVISO: O POST ESTÁ QUILOMÉTRICO

Então, retomando minha linha do tempo (comecei aqui, e fiz algumas observações prévias e necessárias aqui):

Eu tinha uma semana para preparar tudo.

Imprimi e li o edital o mais cuidadosamente possível. É muito importante isso, gentes. Por exemplo: o IBICT, diferentemente de outros programas de pós-graduação, não pede um Projeto para acesso ao mestrado; pede um plano de estudos (formato que gosto muito mais, diga-se de passagem). É totalmente diferente, tanto a forma de construir quanto de apresentar na entrevista. Se eu tivesse montado um projeto, já teria me ferrado…

O processo era composto de 4 etapas, 3 delas eliminatórias (isso varia entre as instituições, tá gentes? não se fiem no que estou escrevendo, leiam o edital de vocês, quando forem fazer!)

1. a apresentação do projeto e carta de solicitação, que são avaliados para que sua inscrição seja homologada

2. a prova escrita de Ciência da Informação

3. a prova de inglês – única etapa classificatória

4. a entrevista

Assim, falando por partes:

1. Apresentação de projeto e carta de solicitação

   O projeto, apesar de só ser analisado a fundo depois que você passa na prova escrita, deve ser entregue junto com a documentação inicial de inscrição. Sem isso sua inscrição não será homologada. No meu caso era um Plano de estudo, de até 8 páginas (mais uma contracapa) explicando o que eu queria desenvolver no mestrado, em até dois temas. O mais legal do plano de estudo é isso: se você está em dúvida pode apresentar dois temas, ao invés de um só – e escolher no decorrer do curso, conversando com o possível orientador.

   No projeto eu deveria indicar os possíveis orientadores. Para isso é uma guerra, principalmente se você não conhece ninguém na instituição que quer entrar. Você precisa entrar na página da instituição, encontrar o currículo dos docentes, e ver qual tem o perfil que se encaixe na pesquisa que você quer fazer. Parece mole, né? Mas né não: você precisa entrar em contato – por e-mail, telefone ou pessoalmente – com seu possível orientador, e apresentar seu pré-pré-pré-projeto para eles, e ver se algum se interessa, e se aceitaria te orientar durante o curso. :O Deu medo e frio na barriga.

   Muitos professores, nessa etapa, dão uma mão aos estudantes. Indicam biografia, dão uma olhada prévia no projeto, dão dicas (no decorrer na vida acadêmica ouvi histórias… em que o possível orientador fez o trabalho todo, mas deixa quieto…)… eu não tive nada disso. Motivo: minha possível orientadora seria da banca, e por princípios éticos, não podia me ajudar.

   Beleza, né?

   Foi um parto. Fui para a casa da minha mãe para ela me ajudar (ela sempre me ouviu estudando, e sempre me ajudou a passar os pontos da matéria, ou ouvia as “aulas” que eu ministrava, pra me ajudar. hihihi!), mas mesmo assim, nada do projeto sair. Isso era na terça-feira, e eu precisava fazer a inscrição na sexta. Na quarta, no quintal de casa o troço “foi parido”: trabalhei de quarta pra quinta sem parar, e o projeto saiu inteiro da minha cabeça, como Palas-Atena da cabeça de Zeus.

   A carta de apresentação é bem simples: uma carta de até duas páginas dizendo o porquê de eu ter escolhido a instituição, e como nos “agregaríamos mutuamente”. Tem universidade que pede memorial, o que acho muito mais complicado, tem mais páginas e todos os detalhes relevantes da sua vida pessoal-profissional.

Na sexta-feira, com tudo resolvido, fui fazer minha inscrição – com medo de que nem desse tempo; mas rolou. Agora era esperar a homologação (“Ting! Check”) e estudar para a temida prova escrita.

 

2. A prova escrita de CI

 

   No edital eles indicam as leituras consideradas obrigatórias, as que você precisa ler para estar minimamente inteirado para conseguir responder. No caso, o IBICT recomendou 19 textos, e eu tinha um mês para estudá-los. Cada texto era de um dos professores da instituição, os textos que eles consideravam os mais representativos dos temas deles. Foi fácil não, gentes. Tinha texto muito complicado, sobre epistemologia da ciência, por exemplo. Eu tinha menos de um mês até a prova; e não dava para ler só o básico, eu ainda precisava de algumas leituras adicionais.

   Sei que eu li 15 dos 19 textos – quatro deles eu nem consegui olhar, dois porque estavam muito acima da minha capacidade de entendimento em 2 dias, rsrsrs. Renderam 58 páginas de resumos, mais 33 fichas de tamanho grande (6X9). Meu marido ainda me ouviu explicar todos os assuntos para ele, na véspera da prova, na mesa da cozinha 😛
No dia da prova eu fui dando uma lida nas fichas, mas meu cérebro simplesmente desliga, então só tomei café e fiquei passeando pelo campus… e fumando. Na época eu ainda fumava e, nervosa, fumei como uma chaminé. Foi fácil um maço naquela manhã.
A prova em si foi constituída de duas questões. Duas perguntas simples, uma sobre segurança em informação (tava na época do debate Snowden, Assange e Obama), e outra sobre CI em geral. É aí que eles te pegam – você tem que fazer o link daquilo que eles perguntam com o que você leu, mesmo que nada na questão te diga isso. Eu tentei resumir cada questão em uma lauda, no máximo uma e meia. Funcionou. E outro defeito que tenho, eu dificilmente faço “rascunho”. Eu fico meia hora sentada, pensando, organizando as peças do lego na cabeça… depois cuspo o texto praticamente pronto, todo de uma vez.
Saí da prova moída… mas ainda tinha a segunda etapa, no dia: a prova de língua estrangeira

3. A prova de língua estrangeira

 

No mestrado, geralmente, a prova de língua estrangeira é Inglês. No doutorado, também geralmente, são pedidoas pelo menos duas línguas. A maioria dos mestrados quer tentar uma internacionalização; a maior parte da produção científica mundial é em inglês. Então você tem que se virar, mané!
Uma observação necessária: eu sempre fui uma NEGAÇÃO em inglês. Eu até entendia um pouco, mas sempre que tentava estudar, se ficasse uma semana sem ver a matéria, já não lembrava de nada. Mas não tinha jeito, então vambora.
Você poderia consultar um dicionário, e isso era tudo. A prova consistia em fazer a tradução de um texto da área – muito importante para sentir sua familiaridade com termos específicos da área em outra língua.
(e depois o inglês se provou ainda mais necessário – quando tive um curso com um professor inglês – da Inglaterra, mesmo – e a comunicação em inglês foi mais do que necessária 😛 )

A espera…

 

Foi tudo muito cansativo, e a espera foi ainda pior. Posso dizer, na verdade que a prova foi MENOS cansativa que a espera – apesar de eu ter ficado mais moída que carne de terceira em açougue de pobre.

Eu fiquei maluca, e acho que deixei o marido doida também. Eu sou extramente ansiosa, sempre fui. Eu não consigo dar presente surpresa, louca pra ver a cara de quem recebeu. Fiquei ensandecida, essa é a palavra.

Durante a espera meu afilhado mais velho casou, foi aniversário de outras tantas pessoas… mas meus olhos estavam na resposta da prova escrita.

Passei! Que maravilha! Mas, como tudo na minha vida é com emoção, a entrevista foi marcada exatamente para o dia da minha formatura, minha colação de grau da graduação. Detalhe: um local não era pertinho do outro.

4. A entrevista

No dia marcado para a entrevista, estávamos todos lá (todos da letra “M” em diante, rsrsrs). Pessoal bastante simpático, todo mundo meio nervoso. Pedi por favor para ser uma das primeiras, para dar tempo de sair correndo para a colação de grau ainda… E fui! Eram três professores da banca, e as questões variaram sobre meu projeto, minha trajetória profissional e minhas pretensões acadêmicas.
Tem banca que foca mais no projeto, tem banca que mal fala disso; varia muito. Mas é importante ir com tudo do projeto na ponta da língua; pergunta que sempre fazem é “como a CI vai ajudar no seu projeto”. Outra, essencial, é SE VOCÊ VAI QUERER BOLSA. Gentes, isso é capítulo à parte, praticamente.
Nunca, nunca minta. Se você só vai poder levar o mestrado com bolsa, deixe isso explícito. Eu respondi que estava, sim, pleiteando a bolsa; mas que se eu não conseguisse, eu faria o curso da mesma forma. Eles precisam averiguar qual é a probabilidade de você abandonar o curso por falta de recursos – não há bolsas para todos, e o abandono do curso não é bem visto pelo MEC no momento das avaliações trienais.
No mais, achei tranquilo.

O resultado!

Colei grau no dia 19 de novembro. O resultado parcial, da entrevista – última eliminatória, estava para sair na segunda-feira, dia 25 – depois sairia o resultado do inglês, mas seria apenas classificatório. Ou seja, passando na entrevista, eu tava dentro, não importava em que posição.

Passei o final de semana jogando Minecraft com meu marido. Foi a única coisa que me acalmou, que me fez desligar o cérebro de tamanha ansiedade. De 9 da manhã à hora de dormir, no sábado e no domingo. Na segunda, passei a tarde dando refresh na página do curso.

Passei, porra!

O resultado final, com a classificatória do inglês, saiu dia 29. Também foi um parto: devia ter saído na página do IBICT e nada – só soube da nota quando meu marido ligou pra lá para perguntar; por um erro do sistema não estava mesmo na página.Passei em 6º lugar. 3º na espera da bolsa. Eu podia parar de choramingar, eu era oficialmente MESTRANDA.E isso foi só o começo da batalha 😛

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