Vivian contra o apocalipse, Katie Coyle

Título: Vivian contra o apocalipse

Autor: Katie Coyle

Editora: Agir Now

Páginas:  288 p.

Ano: 2014

Formato da leitura: digital

Resumo: Vivian Apple tem 17 anos e mal pode esperar pelo fatídico “Arrebatamento” – ou melhor, mal pode esperar para que ele não aconteça. Seus devotos pais foram escravizados pela Igreja há tempo demais, e ela está ansiosa para que tudo volte ao normal. O problema é que, ao chegar em casa no dia seguinte ao suposto evento, seus pais sumiram e tudo o que restou foram dois buracos no teto… Ela está determinada a seguir vivendo normalmente, mas, quando começa a suspeitar que eles ainda podem estar vivos, Vivian percebe que precisa descobrir a verdade. Junto com Harp, sua melhor amiga, Peter, um garoto misterioso que tem os olhos mais azuis do mundo e informações sobre um possível paradeiro dos seguidores da Igreja (ao menos é o que ele diz), e Edie, uma Crente que foi “deixada para trás”, os quatro embarcam em uma road trip pelos Estados Unidos em pleno pré-apocalipse. Mas, depois de atravessar quilômetros enfrentando eventos climáticos bizarros, gangues de fanáticos religiosos e um estranho grupo de adolescentes autointitulados “Novos Órfãos”, Vivian logo vai entender que o arrebatamento foi só o começo.

Opinião:

AVISO: livros de fundo religioso sempre podem suscitar polêmicas. Lembre-se de que esse é MEU blog, que eu tenho opiniões próprias sobre certos assuntos, e que, se você não concorda, debata amigavelmente. Ou fecha a página. Estamos entendidos?

A humanidade é muito crédula, não no bom sentido. É muito fácil enganar um coração que esteja precisando de conforto, em especial usando o nome do ser “todo poderoso” mais aceito no mundo monoteísta. O livro trata disso: em um mundo onde o planeta já está pedindo arrêgo, que o homem tirou mais do que podia e a terra está batendo de volta com mudanças climáticas absurdas (qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência); o ultraconservadorismo retorna …

ABRE COLCHETES: [

Eu sempre acho incrível como o homem consegue abusar de sua liberdade, ferrar com todo um sistema, por pura ambição… óbvio que não estou falando de todos… mas que tal pensar naquele dono de empresa que prefere poluir uma cidade inteira que diminuir em 5% seus já enormes lucros… e ainda carrega nisso todos os funcionários, que não podem deixar de trabalhar para sobreviver, muitos ganhando miséria… bom, acho que deu para entender meu raciocínio

FECHA COLCHETES ]

… e uma “nova” religião se espalha. Essa religião prega muitas coisas que achamos absurdas, como a submissão da mulher ao homem (ok, já não superamos isso?); a intervenção no currículo escolar, e outras. E o mais legal, olha: pregam que o apocalipse está próximo, e que o Senhor levará os que se converterem à tal religião. Só a deles, óbvio, porque a maioria das religiões monoteístas prega que SEU DEUS está certo, e o dos outros está errado, e consequentemente, não é DEUS.

Vivian está no meio do caminho; uma menina sempre meio quieta, que viu seus pais se converterem e frequentarem essa Igreja maluca. Sua esperança é que, passando a data marcada para a tal situação, tudo volte ao normal, uma vez que, claro, nada terá acontecido. Inclusive, sua melhor amiga dá uma festa aos que não esperam ser arrebatados, só de zoação.

Mas então, Vivian chega em casa, e… cadê? Cadê os pais dela? Tudo que ela encontra são dois BURACOS no teto, e nada mais. Isso indica a arrebatação? Mas como???

(meu primeiro pensamento: ótimo. Ok que Jesus foi filho de carpinteiro, marceneiro, ou algo assim, enquanto na Terra… mas abrir buraco no teto não é demais? Ele não podia fazer isso sem os buracos??)

Logo após a possível subida aos céus dos “justos da Igreja Escolhida”, a sociedade vira um caos. Claro. Um bando de gente achando que foi abandonada, e a sociedade vai acabar a qualquer momento, você quer o quê? Que todos se comportem?

Do nada chega a notícia, por um representante da Igreja (que não foi arrebatado…porque não, né?), de que haverá outro arrebatamento!! Porque a barca do primeiro estava muito cheia, sabe, acho que ficaram pessoas para a barca das cinco… E, magicamente, as pessoas voltam a se comportar – inclusive os que antes não eram crentes, que querer um lugar no céu também! Quem quer ficar para trás?

Vivian começa a desconfiar, depois que é levada pelos avós para morar na cidade grande (avós não-religiosos, obviamente), e descobrir algumas situações sobre sua mãe. Inclusive um telefonema no meio da noite, que a faz ter certeza que era sua genitora. (Meus pensamentos: mas a mãe ligou daonde? Do além? Não seria mais efetivo, sei lá, puxar o pé dela à noite?) Então ela foge do “conforto” da casa dos vóvis, e parte em busca da amiga, para ajudá-la a entender o que aconteceu.

No meio de toda essa história estranha, alguns destaques: a melhor amiga da protagonista, que tem um irmão gay, perseguido; o tal irmão; e o Peter. O Peter é o gatinho da trama, o rapaz-esquisito-e-bonitão que a Vivian tem uma queda. Um tombo, inclusive.

Então, saem pelo mundo: Vivian, Peter e Harp, a amiga destemida.

Preciso admitir que eu só fui gostar da Vivian lá pelo meio, quaaaase final do livro. Sem sal, sem graça. Mas acho que o objetivo era mesmo mostrar essa evolução dela, o amadurecimento no meio dessa confusão toda.

Ah, e no caminho ainda encontram uma ex-colega de colégio. Grávida, trabalhando de garçonete de beira de estrada, e abandonada pelo marido. Uma Crente deixada para trás. Ela se junta ao bando, com esperança de saber onde foram todos, inclusive o tal marido.

Não vou falar muito mais, que poderia escapulir um spoiler. Tem o carro, e uma marreta; disfarces, pessoas alheias à tudo, gente estranha; primeiro amor (claro); o peso da amizade verdadeira, aquela em que a gente fala as coisas na cara do outro. E tem o final. Um ótimo final, que corrobora com muito do que penso sobre vários disparates apontados no livro. Achei que o final valeu muito a pena.

Eu gosto muito de histórias sobre apocalipse. Distopias. Sociedades em colapso provocado pelo ser humano. O quanto as religiões conseguem tornar as pessoas cegas (ok, se você é religioso não venha discutir comigo; essa é MINHA OPINIÃO). Ou seja, eu gostei bastante do livro. Me lembra o quanto a humanidade consegue ser pirada; o quanto o fanatismo religioso pode ser tão perigoso quanto o fanatismo político; o quanto os estados em geral não são laicos (oi, Brasil? Quantos feriados religiosos temos mesmo? E de quais religiões? Porque eu não lembro de existir um feriado nacional judaico…). Tenho sérios problemas quanto a dar crédito aos seres humanos (AKA. não dou), e vejo como parte da realidade muitas situações descritas ali.

Só acho muito fácil colocar a culpa/solução das coisas no divino. Trabalho duro, perder o conforto que tem em prol de algo maior, isso ninguém quer, né?

Recomendo (não que eu ache que vá adiantar para dar um sacode em quem pensa da forma lá descrita – e acho que cada um tem direito de acreditar no que quiser, contanto que não venham encher meus pacovás). Inclusive, já tô catando o livro dois para saber como a história continua 😉

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