Capa do livro Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos, de Ana Paula Maia

Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos, Ana Paula Maia

Capa do livro Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos, de Ana Paula Maia

Título: Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos

Autora: Ana Paula Maia

Editora: Record

Páginas:  158 p.

Ano: 2011

Formato da leitura: Livro digital

Sinopse: O livro reúne duas novelas literárias compostas por homens-bestas, que trabalham duro, sobrevivem com muito pouco, esperam o mínimo da vida. Em silêncio, carregam seus fardos e o dos outros. Os textos, em tom naturalista, retratam a amarga vida de homens que abatem porcos, recolhem o lixo, desentopem o esgoto e quebram o asfalto. Toda imundície de trabalho que nenhum de nós quer fazer, eles fazem, e sobrevivem disso. Fica por conta do leitor medir os fardos e contar as bestas.

Opinião: Fui atraída ao livro pelo título, e achei a sinopse forte. Eu tenho tentando ler mais literatura nacional, coisa que tenho uma incrível dificuldade. Não consigo, na maior parte das vezes eu não consigo me envolver pela narrativa – mas estou tentando. Tenho pesquisado muito sobre os novos autores brasileiros, e encontrei a Ana Paula Maia.

O livro é composto de dois contos, com alguns pontos de intersecção entre eles – que não fazem diferença para as histórias, acho que foi apenas para demonstrar que as narrativas se passam no mesmo local geográfico. O primeiro, Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos, narra a história de Edgar Wilson, matador de porcos profissional, e seu ajudante Gerson. O segundo, O trabalho sujo dos outros, é sobre os irmãos Erasmo Wagner, lixeiro, e Alandelon, operador de britadeira.

Ambas as histórias são duras como um soco na cara bem dado. A pobreza, a simplicidade dos personagens, suas filosofias de vida – tão simples e duras quanto suas realidades – nos deixam boquiabertos; a forma de colocar os problemas e como lidam com eles, a vida sendo vivida um dia após o outro, sem grandes planos futuros, a seriedade com que levam seu trabalho (mesmo quando vistos como subemprego pelo restante da população)… É um livro forte.

Algumas das situações absurdas descritas pela autora me remetem muito à ficção científica pós-apocalíptica, como quando Edgar Wilson e seu ajudante vão na casa da irmã deste último tomar de volta o rim que havia sido doado porque o Gerson estava precisando dele novamente. Sim, simplesmente retirá-lo e guardá-lo num saquinho no congelador, até conseguir reimplantá-lo. Ou quando os lixeiros entram em greve e toda a sociedade chafurda em seu próprio lixo e sujeira.

Maravilhoso. Já catei os outros dois livros da Ana Paula Maia, “parentes” dessa narrativa (De gados e homens e Carvão animal) e já estou com eles na fila (OK, é uma fila imeeeensa; mas eles estão nela :P). Recomendo.

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