Eu sou a lenda, Richard Matheson

Capa do livro Eu sou a lenda, de Richard MathesonTítulo: Eu sou a lenda

Autor: Richard Matheson

Editora: Aleph

Páginas:  384 p.

Ano: 2015 (1.ed. 1954)

Formato da leitura: Livro digital

Sinopse: Uma impiedosa praga assola o mundo, transformando cada homem, mulher e criança do planeta em algo digno dos pesadelos mais sombrios. Nesse cenário pós-apocalíptico, tomado por criaturas da noite sedentas de sangue, Robert Neville pode ser o último homem na Terra. Ele passa seus dias em busca de comida e suprimentos, lutando para manter-se vivo (e são). Mas os infectados espreitam pelas sombras, observando até o menor de seus movimentos, à espera de qualquer passo em falso… Eu sou a lenda, é considerado um dos maiores clássicos do horror e da ficção científica, tendo sido adaptado para o cinema três vezes.

Opinião: Continuando minha saga para terminar os livros pendentes em 2016, eu pre-ci-sa-va terminar esse título. Comecei a ler no início do ano, e não sei porque cargas d’água não levei adiante. Talvez tenha sido a péssima impressão causada pelo filme, que assisti no cinema em 2007 e fiquei terrivelmente decepcionada; mesmo já tendo ouvido dizer que o livro é incrivelmente superior, acho que fiquei com um certo “ranço” da história.

A história começa apenas dez meses após “a praga” ter dizimado a maior parte da população mundial, e Neville é um homem solitário, vivendo em uma “fortaleza” que ele mesmo construiu. O encontramos numa rotina recém-estabelecida de sobrevivência e adaptação: ele acorda, faz os reparos necessários na casa-fortaleza, sai com o carro para procurar mantimentos ou espairecer a cabeça, come, ouve música, e, no fim do dia, ouve aqueles que eram seus vizinhos chamando-no para fora, em busca do seu sangue. E isso novamente no dia seguinte. E no dia seguinte. E no dia seguinte.

Neville, em seus dias iguais e chatos e enlouquecedores, começa a se perguntar como a situação chegou naquele ponto. Por que as pessoas ficaram daquele jeito? O que as faz morrer e retornar, buscar o sangue, ter medo de cruzes, serem repelidos pelo sol, pelo alho? Seus estudos se tornam uma nova razão para continuar vivendo – e o legal é que ele não era um cientista, um pesquisador nato; ele teve que buscar livros na biblioteca ( ❤ !), ler, se informar. Como todo pesquisador, encontrou becos sem saída, foi por caminhos errados (e pirou por isso também!).

Muito engenhosas são as explicações científicas/filosóficas para a origem do vampirismo, o comportamento dos vampiros/zumbis, a explicação de suas aversões (a explicação do medo da Cruz eu particularmente achei espetacular – você já pensou em um vampiro judeu, ou muçulmano?)

Seu maior inimigo é o tédio. A solidão. A simples repetição das tarefas por causa do instinto de sobrevivência. Afinal, porque ele queria tanto continuar vivendo, se seria daquela forma para o resto da vida? Mas o ser humano tem um instinto de autopreservação maior do que a capacidade de tirar a própria vida (na maioria das vezes, obviamente). Não que ele não tenha pirado (eu acho que teria pirado muito mais, e muito antes!!) algumas vezes.

Essencialmente, o livro é sobre a solidão do Neville, sobre suas agruras em suportar ser o único ser humano existente. Ele encontra um cachorro (tal qual no filme, e que tem o mesmo destino que o do filme :/ ); mais pro final, ele encontra uma mulher – e as coisas nunca são como parecem. As passagens em que ele ouve a própria voz e a estranha por falta de uso, são desoladoras.

Não posso nem tocar nas narrativas próximas ao fim do livro, pois seria um PUTA de um spoiler. Só digo: é totalmente diferente do final do filme de 2007. É um puta final. É bom pra caramba, é reflexivo; as explicações de tudo que Neville descobriu em suas pesquisas, em como lidou com isso, e sobre A Lenda… bom, leiam para saber, recomendo muito. Especialmente para quem, como eu, ficou totalmente “nhé” com o filme.

PS. Apenas a título de conhecimento: fico especificando que o filme é o de 2007 porque foram feitas 4 adaptações cinematográficas; a de 1964 (The last man on Earth, ou Mortos que matam, aqui no Brasil) foi escrita pelo próprio Matheson.

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