O sorriso da hiena, Gustavo Ávila

Capa do livro O sorriso da hiena, de Gustavo Ávila

Título: O sorriso da hiena

Autor: Gustavo Ávila

Editora: (edição independente)

Páginas:  304 p.

Ano: 2015

Formato da leitura: Livro digital

 

Sinopse: Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitável psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém, a proposta feita pelo misterioso David coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é uma pessoa má por ter presenciado o brutal assassinato dos seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a dele, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma na vida delas. Até onde ele será capaz de ir? É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?

Opinião: Eu enrolei muito para pegar esse livro. Comecei a ver suas fotos no Instagram no ano passado, geralmente seguidas de elogios rasgados; fiquei curiosíssima para ver o motivo do escarcéu, mas fui deixando para depois do livro X, depois do livro Y… achava a temática meio fora dos que eu estava lendo na época, e acabou que nunca encontrava tempo/estado de espírito para começar. Agora no final do ano, uma colega me passou uma cópia digital (se ela foi produzida ou vendida, não sei; peço desculpas ao autor se infringi o copyright); tendo terminado meu mestrado e querendo ler mais autores nacionais, caiu como uma luva.

Nos primeiros 50%  da história, eu enrolei um pouco para engrenar. Me senti acompanhando o autor na construção de seu estilo de escrita – dá para perceber certas hesitações, onde ele muda e testa um estilo um pouquinho diferente (visão de bibliotecária?), e para mim, isso quebrou um pouco o ritmo em alguns pontos, mas nada que seja um problema. Lembro que também me senti assim lendo o Batalha do Apocalipse, do Eduardo Sphor, principalmente porque li a primeira edição, lançada pela Nerdbooks (a segunda, pela Verus, já está diferente).

Nessa primeira parte, ficamos conhecendo e nos inteirando sobre os personagens principais. São 3 pontos de vista predominantes: o do psicólogo William, que quer fazer algo de bom pela humanidade; o do assassino David, que quer fazer um experimento social prático; e o detetive Arthur, que ficou responsável por acompanhar o caso. Como descrito na sinopse, David recruta o psicólogo para fazer parte do tal experimento. Sem remorso, mas também sem prazer, ele vai levar a situação a cabo de qualquer forma. William se remói em culpa enquanto tenta decidir o que está moralmente certo: aproveitar a situação para tirar algo de bom ou denunciar o pseudo-cientista. E ainda acompanhamos Arthur, que tem Asperger, em suas investigações, e porque não dizer, aventuras sociais – próprias de quem apresenta esse tipo de síndrome.

Ontem, quando cheguei no aeroporto, acho que peguei o livro no exato momento da virada – até digo que sei o ponto exato em que ele me prendeu de vez: o envio do primeiro vaso de flores – e não consegui mais largar! As peças que estavam meio soltas foram se encaixando, o quadro ficando mais claro… e eu, que sempre durmo em avião, passei quase três horas lendo, entre chegar no aeroporto, pegar dois aviões e descer aqui na terrinha.

Não quero falar muito mais da trama, porque a graça (eu achei) é ler e acompanhar. O autor constrói num crescendo, então não dá para adiantar as partes sem estragar a surpresa.

Agora que terminei, e a história ficou ecoando na minha cabeça, eu posso afirmar: é um PUTA LIVRO. Gosto desse tipo de final. Real. Digo até que meio cru, meio tapa na cara. Alguns dos pensamentos decorrentes:

– me lembrou o dilema da medicina em utilizar resultados de experimentos nazistas;

– ou as indústrias farmacêuticas na África, onde elas produzem o “habitat” específico para cada teste que precisam realizar, sem que os atingidos percebam sua interferência;

– se eu tenho dilemas éticos por coisas muito menores, como pedir para meu marido matar as aranhas que aparecem aqui às vezes, imagina alguém vendo outro matar pessoas?;

– mais próximo ao final, me fez lembrar de quando assisti Elysium: a realidade é isso aí. Tapa na cara mesmo. As coisas não são um conto de fadas.

Parabéns ao Gustavo – além de escrever essa belezura, ainda lançou como obra independente. Aqui no Brasil não é fácil: é caro, é trabalhoso, e geralmente o processo faz as pessoas desistirem de lançar livros físicos, especialmente com a Amazon aí para facilitar nos e-books.

Recomendo muitíssimo. Sério. De verdadinha.

Um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s