Meia-noite e vinte, Daniel Galera

Capa do livro Meia-noite e vinte, de Daniel Galera

Título: Meia-noite e vinte

Autor: Daniel Galera

Editora: Companhia das Letras

Páginas:  202 p.

Ano: 2016

Formato da leitura: Livro físico

Sinopse: Em meio a uma onda de calor devastadora e a uma greve de ônibus que paralisa a cidade, três amigos se reencontram em Porto Alegre. No final dos anos 1990, eles haviam incendiado a internet com o Orangotango, um fanzine digital que se tornou cultuado em todo o Brasil. Agora, quase duas décadas depois, a morte do quarto integrante do grupo vai reaproximar Aurora, cientista e pesquisadora vivendo uma pequena guerra acadêmica, Antero, artista de vanguarda convertido em publicitário, e Emiliano, jornalista que tem uma difícil tarefa pela frente. Captando com maestria a geração que cresceu em meio ao início da internet, Galera explora essas vidas acuadas entre promessas não cumpridas e anseios apocalípticos. Nas vozes de Aurora, Antero e Emiliano, Meia-noite e vinte é um retrato marcante de uma juventude que recebeu um mundo despedaçado e para quem o futuro pode não significar mais nada.

Opinião: Esse ano eu me fiz algumas promessas, escrevi no caderninho; outras delas não estão anotadas, nem nada, foram promessas internas. Faz tempo que me comprometo a ler mais autores nacionais, e vou protelando, mas esse ano eu vou fazer! Já comecei nos últimos dias do ano passado, com O sorriso da hiena, do Gus Ávila, e pretendo seguir firme em 2017!

Eu ainda não tinha lido nada do Galera. Ensaiei um início com Barba ensopada de sangue, mas não vingou – cabeça cheia com o mestrado, não consegui me concentrar. No lançamento do Meia-noite e vinte eu li uma resenha em algum jornal, e fiquei com bastante vontade do livro; me aproveitando de um problema em que ganhei créditos na Amazon (tks, Amazon!), ele veio “morar” comigo.

Meia-noite é a narrativa de quatro amigos, que se conheceram e conviveram nos bancos universitários no final dos anos 90, e apesar de se afastarem gradualmente (quem já passou por isso, levanta a mão comigo!!), ainda se comunicavam ocasionalmente. Quando um deles é morto em um assalto estúpido, o restante do grupo é convidado para o velório, e seus caminhos se cruzam novamente.

Acompanhamos os capítulos contados pelos três amigos viventes. Galera monta uma narrativa muito humana. Aurora, Emiliano, Antero, cada um com sua visão de mundo bastante específica, dilemas, problemas, escolhas de vida…  e conhecemos o Andrei, pelo impacto que teve na vida de cada um, através das lembranças que guardam sobre ele.

Aurora é pesquisadora, está escrevendo sua tese de doutorado em biologia; Antero, o maior bon-vivant boêmio do grupo, virou publicitário de renome; e Emiliano, o mais velho, é jornalista freelance. Vemos uns pelos olhos dos outros, e conhecemos os recônditos dos pensamentos e costumes olhando dentro da cabeça deles, acompanhando seus raciocínios e lembranças. Galera não deixa de fora nenhuma nuance do ser humano, as invejas, os prazeres, as dores.

Me identifiquei muito com a Aurora, nas crises de pesquisa e, especialmente, nas crises sobre acreditar na humanidade. O pessimismo dela reflete o meu – e ao final, não sei se o dela passou, mas o meu tá aqui, viu? Seus pensamentos sobre se vale a pena pesquisar algo para melhorar a humanidade como está, e isso tirar sua energia da vontade de estudar, ahhhh como eu conheço isso!

O livro não é sobre um final, sobre um ápice, sobre “onde essa história vai dar”, ao menos não para todos os personagens. É mais um recorte, um espaço de tempo em que eles estão ali, mais ou menos sobrepostos, resolvendo suas coisas e suas pendências. O desfecho de um ou outro personagem me soou previsível, mas mesmo assim eu gostei de ler como ele arrumou a história. O desfecho da Aurora… é algo parecido com o que eu quero hoje, rsrs.

Galera escreve a narrativa de forma meio ininterrupta, como se alguém estive pensando mesmo. Os parágrafos são grandes, e não sei se isso é estilo dele normalmente (preciso ler o Barba pra descobrir ^^ ). No início me incomodou um pouco – especialmente porque eu leio no ônibus, e ter que fechar o livro no meio de um parágrafo para descer no ponto sempre me desagrada muuuito 😛 – mas depois peguei o ritmo.

Leitura rápida e de qualidade. Alguns não gostaram, acharam que ficou “aquém” do que veio antes. EU GOSTEI (e ponto). E recomendo!

Capa com letras metalizadas, Meia-noite e vinte, Daniel Galera

Ps. Fora que eu me encantei pela capa de uma forma tão absurda que eu ficava o tempo inteiro tirando o livro da estante e paquerando o efeito da luz sobre as letrinhas espelhadas *_*

2 comentários

  1. Eu também quero ler mais nacionais, comecei ano passado com ótimas leituras BR, mas seguir firme esse ano! Aliás, atualmente tô lendo Barba Ensopada de Sangue, haha. Tô no começo e realmente os parágrafos e os capítulos são grandinhos, mas tô gostando.

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