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Cultura: um conceito antropológico, Laraia

Capa do livro Cultura: um conceito antropológico, de Roque LaraiaTítulo: Cultura: um conceito antropológico

Autor: Roque de Barros Laraia

Editora: Jorge Zahar

Páginas:  116 p.

Ano: 1992 (1.ed. 1986)

Formato da leitura: Livro físico

Sinopse: Uma introdução ao conceito antropológico de cultura, realizada de forma didática, clara e simples. A primeira parte do livro refere-se ao conceito de cultura a partir das manifestações iluministas até os autores modernos, enquanto a segunda procura demonstrar como a cultura influencia o comportamento social e diversifica enormemente a humanidade, apesar de sua comprovada unidade biológica. O autor procura utilizar, sempre que possível, exemplos referentes à nossa sociedade e às sociedades tribais que compartilham nosso território, o que não impede a utilização de exemplos de autores que trabalham em outras partes do mundo.

Opinião: Você já parou para pensar porque você se depila? Por que andamos de roupas e sapatos? Por que brasileiro come arroz com feijão (e somos o único país onde se come abacate DOCE)? Por que achamos normal a pessoa ir à praia de biquíni? E você já parou para pensar em no por que de outras pessoas, de outros países ou localidades fazerem isso tudo de formas diferentes?

Chamamos essas diferenças de culturais. Imagino que DISSO você já saiba. Mas já parou para pensar, de verdade, no que significa? Em como essas discrepâncias impactam nossa vida, em como impactaram a história da humanidade?

Quando eu trabalhava na biblioteca da UP, eu via esse livro saindo como água. Todo início de semestre, era uma corrida enlouquecedora às estantes, alunos fazendo listas intermináveis de reservas, gente reclamando que o coleguinha não devolveu o livro na data. Todos os cursos de Sociais Aplicadas/Humanas o utilizavam (pedagogia, comunicação social…), então era briga de foice pelo livro, mesmo.

Eu estudei 6 matérias de sociologia, em todos os cursos superiores que fiz, e com enfoques diferentes. Mas o Laraia não fazia parte das minhas bibliografias básicas. Tirei muita, MUITA xerox, tive que ler os textos base originais, de diversos autores; mas o Laraia não estava incluso.

E agora, foi o primeiro livro citado nas videoaulas de Aspectos Antropológicos e Sociológicos da Educação. E como eu achei a R$10 no sebo, achei válido. Livro fininho, de linguagem simples, decidi encarar para ver qualé.

Não vou mentir, é um livro beeeem basiquinho. Se você, como eu, já encarou um Bourdieu da vida, pode achar até um tantinho básico demais. Mas não devemos tirar o mérito, de forma alguma. O Cultura é um ótimo primeiro contato para quem nunca viu nada de sociologia além do ministrado no ensino médio (sabe, aquela matéria que todo mundo só decorava as coisas, e ninguém prestava atenção?).

Capa da nova edição do livro Cultura: um conceito antropológico, do Laraia
Capa da última edição do livro

Laraia divide seu livro em duas partes: na primeira ele trata das diferenças entre cultura e natureza, na segunda ele descreve, com exemplos, como a cultura opera.

Nessa primeira parte, encontramos algumas explicações fundamentais para o entendimento do fatos culturaia: o que são as teorias determinísticas (biológica, geográfica), como o conceito de cultura se desenvolveu, o que podemos entender por cultura. Conceitos chave em palavras com muitas sílabas, como etnocentrismo, endoculturação.

A segunda parte é de aplicação prática: o autor descreve algumas situações estudadas pela antropologia e as ilumina com explicações acadêmicas; é um ótimo fixador do conteúdo da primeira parte.

É um livro simples? Sim. Propositalmente. A linguagem é acessível, sem muitas volutas e floreios; o importante é que o aluno novato, em contato recente com as Ciências Sociais, consiga compreender os conceitos principais. Laraia cita autores consagrados, como Clifford Geertz e Claude Lévi-Strauss, entre outros – e o leitor que quiser, e se interessar, pode aprofundar seu conhecimento.

Útil para todos, não apenas para estudantes. Útil para aprender a respeitar o próximo.

Da próxima vez que você pensar que a cultura de alguém é “diferente”, é muito bom lembrar da endoculturação. E quando você achar que você é superior aos outros por causa de seus costumes (“sim, eles não têm cultura, eles tão errados, eu tô certo!”)… primeiro, lembre que isso tem nome: etnocentrismo. Depois, POR FAVOR leia esse livro, e alimente seu cérebro de ideias melhores!!

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