De gados e Homens, Ana Paula Maia

De gados e homens, Ana Paula Maia

Capa do livro De gados e homens, de Ana Paula Maia

Título: De gados e homens

Autor: Ana Paula Maia

Editora: Record

Páginas:  128 p.

Ano: 2013

Formato da leitura: Livro digital

Sinopse: Edgar Wilson é o protagonista dessa narrativa que se passa dois anos depois da história de Carvão animal. O ex-carvoeiro trabalha em um matadouro de gado, e, embora prefira a criação de suínos, é parte do processo de produção de hambúrgueres que nunca experimentou. Exercendo com perícia a função de atordoador, o responsável pelo abate se vê, junto de seu chefe e de outros funcionários, surpreso diante da morte inesperada de animais e dos questionamentos despertados por tais eventos, até então impossíveis. O matadouro, a cidade e os personagens são fictícios, mas a escrita de Ana Paula transforma em real um cotidiano muitas vezes ignorado, despertando a reflexão acerca do trabalho, do destino e da existência.

Opinião: Eu já havia entrado em contato com Edgar Wilson e sua forma peculiar de ver e tratar o mundo no ótimo Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos. De gados e homens é um “prequel” da história que eu havia lido – parece que eu tenho o condão (ou a mania, não sei!) de ler sequências fora da ordem.

Antes de trabalhar com os porcos, que era a vontade de Edgar, ele passou pela lida com gado de corte – bois, vacas, touros. Ele é um atordoador,  a pessoa que “apaga” os bichinhos antes da retirada do couro e do esquartejamento. Tenta evitar o sofrimento desses animais, proporcionando um rápido desmaio mediante uma certeira marretada. Sabe que não há mais nada que possa fazer, que o trabalho deve ser feito para que outros comam a carne – e sabe também que não será fácil arrumar qualquer outro emprego.

Alguém precisa fazer o trabalho sujo. O trabalho sujo dos outros. Ninguém quer fazer esse tipo de coisa. Pra isso Deus coloca no mundo tipos que nem eu e você

Certo dia o gado começa a se comportar de forma estranha. Homem de poucas palavras e observador, Edgar repara rapidamente que há uma perturbação entre as vacas – que leva aos episódios centrais da narrativa.

São apresentados outros personagens, tão simplórios quanto Edgar, cada um com suas manias e comportamentos; mas todos com as características necessárias para um serviço em um matadouro: a maneira peculiar de pensar na humanidade, nas necessidades, e na própria barbárie – que os aproxima dos animais, em certos aspectos. Quem é a besta? Quem é o verdadeiro animal?

Mas considera-se um bom homem e jamais foi confrontado por suas atitudes. Acredita que a hóstia o limpa de toda impureza e o redime de toda imperfeição. Assim, ao comer a carne de Cristo e beber do seu sangue, ele se sente parte de Cristo. Porém, nunca pensou que ao comer a carne dos bois e beber do seu sangue também se torna parte do gado que diariamente abate.

Recomendo a leitura. A cena em que o matadouro recebe um grupo de alunos de uma instituição universitária é ótima, especialmente para os que nunca leram sobre maus tratos a animais de corte (eu não como carne, já li e vi suficiente sobre).

Ainda há um livro nessa trilogia, que descreve o primeiro emprego de Edgar, na carvoaria – ou seja, eu realmente li os títulos em ordem inversa: primeiro o 3, agora o 2… vai vendo, né?

Ps. Li críticas muito negativas a esse livro – depois de tê-lo lido – massacrantes, mesmo (eu, se fosse crítica, ficaria envergonhada de escrever de forma tão feia, chegou a parecer despeito). Não concordei com elas. Então lembre disso ao ver/ler opiniões sobre literatura: são OPINIÕES. Leia, com a sua bagagem, seus conhecimentos e seu contexto, e chegue a sua conclusão. Às vezes você até se surpreende.

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