Livro Um copo de cólera, de Raduan Nassar

Um copo de cólera, Raduan Nassar

Capa do livro Um copo de cólera, de Raduan Nassar

Título: Um copo de cólera

Autor: Raduan Nassar

Editora: Companhia das Letras

Páginas:  88 p.

Ano: 2001 (1ª ed. 1978)

Formato da leitura: Livro em papel

Sinopse: novela escrita por Raduan Nassar em 1970, mas publicada apenas em 1978. O personagem principal de Um copo de cólera narra o que acontece numa manhã qualquer, depois de uma noite de amor, quando a aparente harmonia entre ele e sua parceira se rompe de repente.

Opinião: Raduan está na minha lista de leituras desde que recebi em mãos o Lavoura arcaica.Mas, não sei porque, ainda não engrenei naquela leitura. Dizem que ela é um pouco mais rebuscada mesmo, pode ser por isso… mas a verdade é que escolher o que ler primeiro na minha estante de livros físicos está virando uma operação de guerra! Escolhi ler primeiro “Um copo …” porque é curtinho, #prontofalei!! O “Lavoura” tem o dobro do tamanho, e apesar de estar a mais tempo na estante, não foi minha primeira opção, rsrs!

Nassar tem uma obra bem enxuta, mas impactante. Tão forte e chamativa que recebeu o prêmio Camões em 2016, prêmio máximo da Literatura concedido a autores em língua portuguesa (esse é outro motivo para o nome do autor estar na minha lista 🙂 )

A história é contada em primeira pessoa pelo personagem principal, e se passa praticamente inteira em uma manhã; apenas as últimas linhas são narradas por uma mulher (a antagonista). O plot do livro é bem simples: em uma manhã pós-sexo, o personagem tem um acesso de fúria ao perceber que sua cerca viva está sendo comida pelas saúvas. Nesse acesso ele sai descontando em todo mundo ao redor.

O que faz o livro é você acompanhar os pensamentos do personagem enquanto eles se sucedem. Sabe quando você olha para a cara de uma pessoa irritada e não consegue dizer o que se passa na cabeça dela? Aqui você sabe. E é uma loucura, rsrs! Nassar usa o encadeamento de ideias em frases extra-longas para demonstrar essa continuidade que temos ao pensar. As discussões que temos conosco, como um pensamento começa e termina, como e porque alguém provoca o outro em um embate.

Quem recebe a maior parte de seus impropérios são a empregada e seu marido, e, especialmente, a mulher com quem ele transa. Percebe-se que é uma relação levemente desfuncional, em que ele se acha muito melhor/mais inteligente/mais gostoso. Não sabemos bem o que a mulher acha disso, mas pelas respostas que ela dá a ele, eu não acredito muito nessa impressão que ele tem não, rsrs!

Eu poderia fazer uma prolongada análise de sua relação com os empregados e com a mulher, mas acho que não preciso. O livro é curto, vocês acham fácil em bibliotecas, então procurem, se interessar. O final nem é surpreendente. Não digo que foi o melhor livro que li – foi uma experiência interessante. Se vai marcar, só o tempo vai dizer.

Ah, eu dei uma procurada sobre o filme, nacional, que não vi na época do lançamento (eu era novinha, e tinha sexo demais para que me fosse permitido, rsrs), e me interessou.

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