Livro O mundo Louco, de Kurt Vonnegut, sobre o puff da Biblioteca Pública do Paraná

O Mundo Louco (ou como eu descobri Kurt Vonnegut)

Não, eu não li / não estou lendo “Cama de Gato”, livro relançado há pouco e que trouxe o autor novamente aos “conhecidos”.

Li algumas pessoas elogiando muito o Vonnegut, gente cujas opiniões eu confio. Dei uma olhadinha na história desse relançamento, que deixou os brasileiros doidos… mas quando vi que os livros são da década de 50/60/70, pensei “A Biblioteca Pública deve ter alguma coisa, não é possível…” eeeee eu estava certa!

Para começar e me familiarizar com a linguagem do autor, peguei um livro de contos, “O mundo louco, ou Bem vindo à Casa dos Macacos”. Acho que contos são ótimos para ver vários tipos de escritas, especialmente quando a coletânea abrange textos de datas bem distintas, como essa.

A introdução já me fez cair de amores… mas o primeiro texto… Ahhhh, como eu pude demorar tanto para encontrar esse homem, gente???

Capa do livro O mundo louco, de Kurt Vonnegut

Título: O Mundo Louco (Welcome to the Monkey House)

Autor: Kurt Vonnegut

Editora: Companhia das Letras

Páginas:  88 p.

Ano: 2001 (1ª ed. 1978)

Formato da leitura: Livro em papel

Sinopse: Com sua forma inconfundível de analisar o ser humano chegando até às raízes de seus problemas, Kurt vai fazer o leitor morrer de rir com as histórias apresentadas neste livro, todas com um final sensacional. Ele é, sem dúvida, um grande terapeuta, pois além de tudo, suas fantasias literárias alertam os leitores para os problemas do mundo.

Opinião: ADOREI. TODOS. OS. CONTOS. Sério. Me senti lendo um Asimov, que nunca me decepciona. Acho que nenhum dos textos eu “gostei menos”. Inclusive, o do Jogo de Xadrez me deu uns comichões, e eu tive que deixar para ler por último, que me deu nervoso. Muito antes da K. Rowling escrever o xadrez humano do HP1.

São 8 contos, alguns beirando a scifi, muitos distópicos, e alguns mais “comuns”, mais “humanos” – mas não menos encantadores. Só posso dizer que são Fantásticos, como gênero e como elogio 🙂

Em Harrison Bergeron temos um mundo onde as pessoas são perfeitamente niveladas. Não usando manipulação genética, mas apetrechos que atrapalham a desenvoltura dos mais afortunados (maravilhoso!). Bem-vindo à Casa dos Macacos traz uma sociedade futura onde o excesso de humanidade e a vontade de controle eliminam totalmente o sexo, tornando-o algo indesejável e nojento. Um longo passeio à eternidade é um pequeno romance, passado na época da guerra (gentes, achei tão lindinho!). A carteira do Sr. Foster conta a história de um corretor de ações que se vê diante de uma casinha humilde para realizar seus préstimos, mas as coisas não são bem o que parecem.

O tabuleiro vivo trata da queda de um avião americano em solo asiático hostil, e o que eles precisarão fazer para terem a chance de liberdade. Em Os vizinhos acompanhamos o pequeno Paul em sua primeira noite sozinho em casa, aos dez anos, quando os pais vão ao cinema – e os eventos absurdos de uma noite. História de Hyannis Port pode ser considerada uma boa crítica política, ou ainda, uma boa crítica aos que se dizem politizados. Relatório sobre o efeito de Barnhouse traz de volta o improvável ao livro, quando um pesquisador relata a descoberta e as consequências de uma arma muito mais potente que qualquer uma já inventada. A busca da felicidade e suas consequências (nefastas!) aparece na Questão do Eufone.

Você já parou para pensar que seu corpo pode ser despido da sua alma, como uma roupa, uma carcaça? É o plot de Vista e use. Uma cutucada no espírito da Guerra Fria aparece em Mísseis tripulados, onde acompanhamos a correspondência de dois pais de recrutas – um russo e um americano. E.P.I.C.A.C. nos traz a interação entre um complexo computador emotivo e seu gerenciador, e suas paixões. O livro fecha com Para todo o sempre – você já parou para pensar no que aconteceria com a Terra se os avanços da medicina impedissem as pessoas de morrer?

Depois dessa explanação sobre cada conto, só digo: se achar esse livro, LEIA. Procure nas Bibliotecas Públicas, as mais antigas, em geral, tem uma lista de Vonneguts para você descobrir ^.^

 

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