Banner: Clubes literários: Sim ou Não?

Clubes de assinaturas de livros, e porque não assino nenhum

Eu lembro de um livro que eu queria muito ler, eu devia ter uns 10 anos. Minha mãe tinha acabado de terminar A Herdeira, de Sidney Sheldon, e eu tava paquerando ele há um tempinho. Quem já leu Sheldon sabe que algumas cenas não são lá recomendadas para menores… mas antes dos 13 anos eu já havia lido TUDO dele. Duas vezes.

Ok, mas a questão aqui não é o livro em si, mas a edição que li. Era uma edição que eu considerava muuuito bonita, de capa dura e sobrecapa, escrito em dourado na lateral, e de uma editora que eu não achava em livrarias: a Círculo do Livro. Eu precisei ficar adulta e entrar para a Biblioteconomia para pesquisar que raios de editora era essa.

Para quem não sabe, A Círculo foi um dos “clubes de livro” mais famosos da época. Você entrava como sócio por indicação (hellooo, Orkut!), e recebia em casa um catálogo – e a “obrigação” de adquirir pelo menos um livro por mês. Os preços eram considerados ótimos, as edições eram bonitas e até que deu algum lucro. Detalhe: tudo por correio e compra-postal, não havia internet, né?

A Círculo eventualmente acabou, mas encontramos seus livros por aí até hoje. Inclusive, minha edições favoritas de ficção científica são dela (Ursula Le Guin, Stanislaw Lem…). Gosto da qualidade dos livros e da tipografia que usavam, acho bastante agradável de ler.

Hoje eu acompanho o “boom” das assinaturas, e acho realmente incrível. Tem para todos os gostos, para os mais variados estilos, de gêneros específicos, criados por livrarias, grupos de estudo, empresas pequenas, sites. Eu sempre achei que quando tivesse dinheiro disponível assinaria vários, inclusive. Então porque não o faço?

Alguns Clubes literários que já pensei em assinar: TAG, Da Vinci, Garimpo, Pacote de textos

  • Algumas assinaturas são caras

Eu procurei algumas que achei interessantes, e o preço foi muito além do que eu esperava. Gente, não me interpretem mal, eu sou bibliotecária e já gasto uma NOTA com livros. Quem assina isso espera uma experiência literária diferenciada, com curadoria, livros em edições especiais, mimos, brindes e afins; eu só quero o livro. Eu não acho que preciso pagar pelos acompanhamentos, eu não tenho costume de guardar nada. Não coleciono marca página, não deixo enfeites pegando poeira na estante. Hoje em dia, nem os livros eu guardo! Não vejo sentido em pagar tanto por um pacote que nem será realmente aproveitado por mim.

  • Alguns livros eu já li

Quando eu pensei em assinar, procurei a lista dos livros já lançados. Parte deles eram relançamentos, releituras, de livros já publicados – e, eu pensei, para que pagar tanto numa edição tão mais cara? É óbvio que tem muita coisa que eu não vou ter acesso agora, uns títulos espetaculares inclusive; mas não são tantos que justifique o gasto.

  • A ideia de curadoria

Aqui é o ponto que mais me induz a pagar. O legal das Assinaturas é que você tem uma curadoria por trás das escolhas. Alguém pensou na temática, escolheu um autor, escolheu o livro, escreveu uma introdução. Você receber gêneros nos quais nunca se aventurou, livros que nunca pensou em ter em mãos. Isso eu acho muito maneiro, sabe? Várias pessoas recebendo um autor escolhido por certos motivos, e incentivadas a falar sobre ele exatamente por causa do compartilhamento. Mas, talvez por eu ser bibliotecária, eu me descolo um pouco disso. De novo, eu acho justo, mas não pagaria o preço que cobram pelo serviço, eu não sinto que “preciso” disso. Talvez por mexer há anos com escolhas de livros e etc. eu faça minha própria curadoria – e estou bem com isso

  • Receber mais livros do que posso consumir

Eu já tenho a tendência a adquirir livros. Adoro. Adoro garimpar sebo, adoro uma boa promoção nas livrarias, indicação de amigos e estagiários, listas de livros em revistas especializadas (tipo a 451), indicação dos colegas bibliotecários, dos amigos do mestrado. Eu já tenho uma pilha absolutamente gigantesca de coisas para ler. Eu possivelmente não vou ler de imediato quase nada que eu receber pela assinatura. Então para que pagar para receber esse livro hoje, quando posso anotar o nome na lista de futuras leituras e adquiri-lo quando tiver tempo/vontade?

  • Pegar livros na Biblioteca

Como eu comentei, eu vejo os títulos que os Clubes liberam, e procuro na Biblioteca mais próxima. Eu tenho a sorte de morar em uma cidade que tem uma biblioteca pública maravilhosa (sorte não, né? foi de caso pensado: eu escolhi vir para cá, procurei emprego aqui, e vim!). Eu trabalho em uma biblioteca até OK com a literatura. Então antes de gastar dinheiro comprando algo, eu consulto. Se tiver lá, eu pego. E sempre que eu quiser ler de novo, eu pego outra vez, simples assim.

  • Eu não costumo guardar livros

Já faz bem uns dois anos que minha política com livros mudou. Eu já tive muitos (MUITOS) livros em casa. Eu lia e guardava, lia e guardava. Hoje em dia eu tenho uma pequena seleção: os que não quero me desfazer (meus scifi estão nessa); os de História; os de Biblioteconomia que ainda acho que vou usar; os de metodologia (trabalho). O restante, em sua maioria, são livros que estão de passagem. Eu leio e dou pra alguém, coloco na Geladeira Literária no trabalho, troco no sebo. Se eu acho que posso querer ler de novo, mas não quero guardar, doo para a Biblioteca – sei onde vai estar se eu quiser ler, e enquanto isso, outras pessoas podem desfrutar dele.

  • Eu não costumo ter bibelôs

Uma das partes “legais” das assinaturas são os brindes. Tem pôster, enfeite, carta, caixinha, marcadores… e eu não guardo nada disso. Eu tive action figures (caríssimos) lindos, e até eles foram para o saco. Eu acho muito legais aquelas prateleiras que misturam os fofos Funkos com os livros, lembranças de viagem e tals, mas não é para mim. Os poucos enfeites que tenho são de cunho emocional: o casal em metal que minha sobrinha trouxe da Argentina, as corujas que meu marido me deu de presente, a ampulheta que minha mãe me deu também. E só. Juntam poeira, ocupam espaço (que eu não tenho, minha estante está gritando)… e por mais bonitos que sejam, não valem para mim. Os posteres eu acho lindos, mas minhas paredes já estão devidamente ocupadas com fotos (lindas, tiradas pelo meu marido pela cidade), então eles ficariam guardados em pastas. Para quê?

  • Não tenho espaço

Eu não tenho mais espaço para livros. Tenho duas estantes (até bem grandinhas!), e praticamente todos os meus livros precisam caber nelas. Não cabem? Então não dá para ficar. Eu não posso comprar outra. Foi a forma que eu encontrei de restringir a quantidade. Eu já fiz 5 mudanças desde que moro com o F., e levar livros é sempre um inferno, e perceber que você nem vai reler a maior parte deles é praxe nos encaixotamentos. Eu AMO livros, mas evito acumulá-los, passei dessa fase (talvez um dia eu volte a ela, nunca se sabe).

E Então?

Então que não, eu não assino nenhum Clube literário. Acho eles ótimos, de verdade. Me consumo quando vejo aquelas fotos de edições maravilhosas no Instagram, algumas exclusivas, livros inéditos. Mas, como diz minha mãe, “morde o cotovelo que passa”. E geralmente passa mesmo. Com o valor da assinatura eu compro livros em promoção por aí, em sebos, ebooks. Sem livros eu não fico.

E eu sempre posso mudar de ideia um dia, né?

Ps.: Alguns clubes que tive vontade de aderir (apesar de não tê-lo feito, rsrs) – não tem publi gente, eu tenho uns 10 leitores assíduos apenas, ninguém me nota, rsrs:

Tag Livros

Turista literário

Calhamaço

Clube Skoob

Pacote de textos (esse está me tentando fortemente)

Garimpo

Clube Da Vinci (de uma das livrarias que mais gosto no Rio; esse é outro que me tenta!)

Se curte, cai dentro!

 

9 comentários

  1. Gostei desse post. Sempre penso: O que pagaria numa assinatura, compro em livro que escolhi, que peguei em oferta e ainda com frete grátis na Amazon ou com ame e cashback no sub, americanas, Shoptime. Até darkside tá com Ame agora. Mas o povo diz: a questão é a experiência e tals. Olha, eu tbem não gosto dos badulaques que vem. Ganhei num sorteio uma caixa da intrínsecos. Amei, o livro é lindo. Uso os marcadores, mas o brinde, nossa, pra mim não serve pra nada. Se tivesse uma versão mais barata sem brindes, eu tentaria comprar no plano sem fidelidade pra testar. Mas faria nós que vem livros inéditos. Medo de vir repetido.

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  2. Uau! Estou estasiada pelo seu ponto de vista, e de certa forma me levou a uma profunda reflexão. Sou assinante da Tag curadoria, sempre fui apaixonada por livros desde de criança e pensei no quanto me sentiria feliz pela assinatura. Acontece que já estou na quinta caixinha e sequer li um livro, sou acadêmica de biologia, então passo a maior parte do tempo lendo livros sobre ciência e de investigação policial que eu adoro, e leio quando eu quero ler e fico me perguntando porque não me sinto estimulada para ler os que os curadores recomendam e me enviam, acho que talvez seja porque a leitura imposta não seja lá tão estimulante assim. Depois dessa nova percepção vou começar a comprar livros que me interesso do que encher desnecessariamente minha estante.

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    • Oi! Que bom que o texto fez você repensar sua relação com isso! Eu adoro os livros da TAG, mas manter a assinatura só pelo “prazer de receber a caixinha”… e o prazer de ler o livro? Rsrs! Se você pegar o valor que gasta na assinatura comprando livros que você REALMENTE quer ler… eu acho vantagem, hein? Quem sabe uma assinatura dessa para um futuro onde você talvez tenha mais tempo livre?
      Abraços para tu!

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  3. Acho legal a ideia, mas também não me animo.

    Todo mundo lendo os mesmos livros, “mimos” desnecessários que irei jogar fora, valor alto por livros que poderiam ser comprados mais baratos, bibliotecas com livros grátis rs e falta de espaço para acumular livros…..

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  4. Passo por algo muito similar. Quando vejo esses clubes já quero participar, mais pela ideia da surpresa de receber algo novo e misterioso, porém o valor ainda assusta o meu pequeno salário de estagiaria. Realmente ainda tenho muito carinho pela minha pequena grande coleção de livros, é algo que me dá prazer de olhar e indicar ali, quem sabe um dia não consigo me desapegar.

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  5. Sempre que eu vejo esses clubes de livros fico super empolgado para assinar. No entanto, quando vejo os preços desisto imediatamente. Assim como você, não coleciono livros, tampouco adornos, então a assinatura se torna muito cara pra alguém que não vai aproveitar essas “vantagens”. O catálogo e a curadoria muito me interessam, seria ótimo se todos esses clubes tivessem uma versão “econômica” de assinatura. Enquanto isso não acontece, a gente segue desgarrado haha.

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    • SIIIM, desgarrados somos!! Rsrs! Mesmo que houvesse uma versão econômica, eu ainda acho mais vantagem pegar a lista e ir catando os livros posteriormente. Eu definitivamente não leio os livros assim que chegam, então o valor que gastaria naquele livro, aquele mês, eu compro outros… e só adquiro aquele quando vou ler mesmo. A Tag, por exemplo, já publicou o Lampadusa (tem na Biblioteca), o Underground railroad (achei em promoção por 20 reais), e outros livros a que temos acesso sem precisar pagar 70 reais de assinatura. Me tenta? Sim. Mas eu prefiro seguir gastando esse valor em outros livros (esse mês comprei 6 muito legais em uma promo com esse valor).

      E sempre podemos pedir para os amigos o que queremos ler, né, Joe? 🙂

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  6. Oi!
    Gostei de você ter trazido essa visão, suas ponderações são excelentes e o que você listou são coisas que sempre fico reavaliando na minha relação com esse tipo de clube.
    Atualmente assino dois e vou testar um terceiro. Gosto da experiência porque ela tem me ajudado em alguns dos meus esforços de leitora. Por exemplo, no Garimpo eu assino o Leia Mulheres e isso tem me ajudado muito na busca por textos de escritoras pra ler. Não consigo assinar um clube só pelos mimos, os livros precisam me agradar e quando isso não acontece cancelo sem peso na consciência.
    Alguns clubes que você citou eu assinei um tempo, tipo um ou dois meses, para ver se curtia. Essa é uma dica que eu dou pra quem pretende assinar: estabeleça um período de testes. Foi assim que descobri que alguns deles não são pra mim.

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    • Oi!

      Que bom que para você tem funcionado! Eu realmente acho muito legal a iniciativa 🙂 Eu participo do Leia Mulheres aqui de Curitiba, então não uso o Garimpo! Mas se não é uma valor expressivo, e você acha que vale a pena, eu super apoio, rsrs! Com o valor das assinaturas que não faço eu compro os livros da minha lista (o Listão da Revista 451 acaba comigo!)
      Mas estou pensando em testar o pacote de textos – se for OK eu compartilho, rsrs

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