Imagem: pessoa sentada escrevendo

Escrever é sofrer (?) – ou vice-versa?

[texto publicado no outro bloguinho, mas achei a temática legal para colocar aqui também]

Recebi por e-mail hoje um dos textos do Alex (link ainda não disponível), o título é “É preciso ter angústia para criar arte?”. Já faz tempo que eu tenho pensado exatamente nisso. Desde que li “O Zen e a arte da escrita”, do Bradbury a coisa só intensificou na minha cabeça.

Eu costumo escrever para digerir meus pensamentos. Eu preciso colocá-los para fora, separá-los, analisá-los, antes de poder colocar para dentro novamente. Às vezes o nó é tão grande, que eu preciso fazer isso várias vezes (alguns de seus textos ajudaram a atar ainda esses nós – e eu só posso te agradecer por isso). Eu me sinto uma vaca: engulo o mundo, regurgito parte escrevendo, engulo novamente, coloco pra fora, e assim por diante. Um processo sem fim de entendimento que precisa ser externalizado para ser melhor observado.

Mas escrever ficção me assusta. Não que eu tenha alma de escritora, nem espero ser minimamente famosa por isso… mas tenho vontade de montar minhas narrativas. Só que quando a gente olha pro lado, parece que todo mundo que tem alguma obra expressiva sofria – como diz a sua colega, a tal da angústia. Pintores, escultores, músicos, escritores. Por um amor impossível, por um abandono, por absorver os problemas sociais da humanidade, crises existenciais. Se deus existe, se ela vai voltar, se as pessoas passam fome, se o corintians vai ganhar a taça do brasil. As pessoas SOFREM. Bebem, usam drogas, entram em depressão, e produzem sobre isso. Se matam. Matam os outros.

Veja bem, eu me esforço muito para ser uma pessoa controlada. Eu já tenho problemas sérios de ansiedade, não quero que isso tome conta da minha vida. Nunca fui uma sofredora amorosa extrema – não me consumo em paixão, não acho que vou morrer se ele for embora, não acho que vai ser para sempre, ou que é o único amor que tive nesse mundo, ou o único que importa. Busco o equilíbrio, não me esquivo dos prazeres, estou aprendendo a lidar com as dores.

Então se para escrever eu tiver que me deixar implodir – ou explodir – eu acho que isso não vai acontecer. Escrever com paixão não é o mesmo que estar sentindo a paixão. Escrever sobre a morte quer dizer que você tem que morrer? Obviamente que há nuances que um observador externo não consegue passar em caso de situações específicas (alguém que sobreviveu a Ruanda vai escrever isso com muito mais propriedade que eu; isso não quer dizer que será melhor escritora. O fato de sabermos da realidade do fato nos faz mais suscetíveis ao escritor?). Mas eu estou falando do geral, sabe?

Alex, ler seu texto colocou mais um peso nos pratos da minha balança, para ponderar. Obrigada.

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