Livro A diferença invisível, e uma suculenta

A diferença invisível, Dachez & Caroline

Capa do livro A diferença invisível

Título: A diferença invisível (Différence invisible)

Autor: Julie Dachez, Mademoiselle Caroline

Editora: Nemo

Páginas: 192 p.

Ano: 2017 (1ª ed. 2016)

Formato da leitura: Livro em papel

Sinopse: Marguerite tem 27 anos, e aparentemente nada a diferencia das outras pessoas. É bonita, vivaz e inteligente. Trabalha numa grande empresa e vive com o namorado. No entanto, ela é diferente. Marguerite se sente deslocada e luta todos os dias para manter as aparências. Seus movimentos são repetitivos e seu universo precisa ser um casulo. Ela se sente assolada pelos ruídos e pelo falatório incessante dos colegas. Cansada dessa situação, ela irá ao encontro de si mesma e descobrirá que é autista – tem a Síndrome de Asperger . Sua vida a partir daí se transformará profundamente.

Opinião: Essa indicação de leitura veio do grupo Leia Mulheres – Curitiba (eu não tenho ido aos encontros, mas tenho lido as leituras de cada mês). Eu já gosto muito de quadrinhos e o tema me interessou bastante; aproveitando uma super promoção na Cultura, comprei.

Marguerite é, digamos, um alter-ego da autora, Julie. Os desenhos foram feitos pela Caroline, dona de uma livraria no caminho diário de Julie. Já é bonita, a história, né?

A geração atual acostumou a ver Asperger como personagens de séries, como o Sheldon, de Big Bang Theory. Não é assim. Não é legal, não é divertido, não é para fazer os outros acharem graça. Você ter uma condição neurológica que te aparta do mundo social imposto é barra pesada. Não entender as sutilezas e nuances; as pessoas não entenderem porque você reage assim ou assado à certos estímulos; você passar o tempo todo tentando se adequar. Não é legal.

Eu senti isso lendo essa HQ. A personagem ia falando, e eu ia sentindo a dor dessa “diferença” junto com ela, gritando por dentro “Mas PORQUE ninguém percebe que ela é assim, e isso é direito dela??” Marguerite passa pela descoberta de ter Asperger – até os 27 anos ela não fazia ideia – e o impacto (positivo, diga-se) que essa definição teve em sua vida. Já perceberam que às vezes nomear sua angústia, seu problema, é o que o torna mais leve? Que quando você não sabe o que está sentindo, o que está incomodando, ou porque está triste, qual o motivo da insônia, é muito mais complicado? Saber que suas características intrínsecas eram na verdade um conjunto de sintomas de uma condição clínica abriu os horizontes de Marguerite para SE aceitar.

Nos é mostrada sua vida pré-descoberta, o momento em que ela decidiu procurar a condição de suas peculiaridades, até o momento pós, em que ela reescreveu os termos da sua vida tendo suas questões já nomeadas.

Parei para pensar: quantas vezes tratamos as pessoas mal, bruscamente, rimos de suas “limitações”, achamos que é implicância, caretice, mau humor? “Fulana é desagradável, nunca fala, nunca sai com ninguém”. Já pensou que essa pode ser a condição psicológica normal da pessoa? E mais: que ela pode estar feliz assim, e isso é problema dela, e não seu?

O livro é um exercício fortíssimo de empatia. Ele só funciona se você se colocar no lugar do outro, “calçar seus sapatos”, abrir a cabeça e sentir junto. Senão é só mais um quadrinho sobre a vida de alguém que você não conhece. Minha recomendação: leia, mas se deixe levar por essa leitura.

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