ó nós aqui travêis!

As mudanças por aqui, ou cansei de ser isentona

O blog tá beeeem abandonado, né? Eu fiquei incomodadíssima pensando no que fazer com esse espaço no meio do turbilhão que passei. Ruim blog sem atualização, sabe? Eu detesto quando acompanho um espaço virtual e de repente ele não tem mais entrada de conteúdo.

Mas eu passei por uma pá de coisas nos últimos 10 meses, e não tinha possibilidade de escrever nada. Não saía, tudo parecia vazio, sem sentido… pouquíssimas vezes eu consegui formar um texto coerente e postar aqui.

Bom, vocês que lêem aqui (ainda, se é que isso é possível, e se sim, obrigada!) vão presenciar uma mudança drástica em posicionamento de conteúdo. Já aviso e agradeço aos que (sei) que irão sair. Sim, eu tenho, sei lá, 12 leitores, mas não sei a posição política e ideológica da maioria.

Olha só, conversando sério aqui, téti-a-téti, nós dois (eu que escrevo e você que lê): você tem acompanhado as notícias do Brasil, certo? Vou partir do princípio que, mesmo você vivendo na bolha propositalmente construída pelos algoritmos das redes sociais, alguma das porcarias políticas e sociais atuais estão chegando em você.

Veja bem, eu sempre fui meio “isentona”. Eu tenho lá minhas opiniões políticas, ambientais, sociais, culturais, mas eu evito ao máximo falar sobre elas para não criar rusgas com os coleguinha tudo. Primeiro para ME proteger intelectualmente (não tenho paciência ou saco para debater certos pontos nevrálgicos com gente que não lê, não se informa, não tem embasamento em nada e quer me fazer engolir “achismo”) e depois fisicamente (não confio no atual governo, tenho medo de ditadura SIM, e sempre acho que vou sumir num porão por minhas opiniões).

Se você leu até aqui, já entendeu que meu posicionamento político é de tendência esquerdista. E eu não tô dizendo de passar pano pro PT, chamar pessoal de camarada (não ainda) etc; mas meu alinhamento ideológico está em um movimento anticapitalista, feminista, com tendências veganistas, de cultura local (não absorvendo enlatados), estudando história, sociologia. Lendo muito, vendo muito documentário.

E depois de ver a merda em que o país e o mundo tá afundado, eu decidi que não vou mais deixar de me posicionar. Cansei. Se você não acha que tá tudo uma bosta, das três uma: ou você é um privilegiado, e seus privilégios não deixam você ter empatia por nada; ou aquela bolha que comentei aí em cima funciona tão bem pra você que você vê tudo com um filtro cor de rosa; ou você faz parte da máquina que eu gostaria muito de ajudar a desmontar. Ou tudo ao mesmo tempo, ou combinações variadas disso aí, rsrs

É difícil, é dolorido, é doloroso se posicionar? Sim. Porque quando você faz isso você tem que admitir que as coisas estão erradas, e a vida já é tão difícil, né non? Tão mais fácil olhar só pro próprio umbigo, no show que quer ir, nas séries da netflix que você quer banguear, no boteco novo que abriu, na promoção no trabalho que você tá almejando.

[E veja, não sei se você notou, mas meu exemplo já é voltado aos privilegiados. Gente que não tem que passar o dia pensando em vender o almoço pra comprar a janta, em quem está desempregado há ano e não consegue enxergar luz no buraco em que está, em quem mora nas favelas do rio e só consegue pensar se vai chegar vivo em casa, no meio do morro, com o governo jogando granada]

Mas sabe o que é mais difícil ainda, para mim? Ver o nosso atual presidente baixando decretos e leis que destroem os poucos avanços que conseguimos. Tirando direitos trabalhistas, tirando dinheiro da educação para comprar voto de apoio dos deputados e senadores, autorizando extrativismo, queimadas, predatorismo empresarial. Vê-lo acusando e criminalizando e desdenhando de setores e classes inteiros da sociedade (em especial mulheres, pessoas não cis, trans, negros, índios, quilombolas, sem-terras). Isso é difícil. O próximo presidente pode tentar melhorar as políticas no próximo mandato, mas vai conseguir replantar a Amazônia para ontem?

“Ai Paulla, aí você virou esquerdista ecochata?” Sim e não, partindo do princípio que esse sempre foi meu posicionamento e vocês nem sabiam (dava pra notar, mas não de forma tão escrachada), não devo ser tão chata assim. Mas afinal, sempre é chato quem fala algo que você não quer ouvir, por não querer pensar sobre ou por não aceitar e não querer debater de forma sensata. Ou seja, se você está nesse grupo, não precisa discutir: é só apertar o “X” ali em cima da página e sair desse espaço. Se recebe os posts novos por e-mail, pode pedir para subescrever, e eu agradeço o tempo em que passou aqui (de coração!).

O que eu pretendo? Eu sou Cientista da Informação por formação. Disseminação da informação, pensamentos sobre segurança de dados, consciência política informacional, sempre foram minha área e minhas preocupações. Pretendo continuar escrevendo meus posts de literatura (bibliotecária e leitora, sempre!), fazendo piada, falando besteira… Mas vou começar, também, a falar da leitura feminista que leio. Dos documentários que acho importantes (inclusive tem uma página de indicações aqui no bloguinho HÁ ANOS, veja aí). De política, SIM SENHOR. Até o nome do bloguinho vai mudar, vejam só!

Então é isso. Se você já sabe que vai sair, eu agradeço a presença até então. Se você vai ficar, vamos juntos com um cadinho mais de consciência. Se você chegou agora, seja bem vindo, pega o café e bora trocar indicações de vídeos, livros, podcasts, lugares legais.

Que eu não vou mais me calar não, povo. E vocês também não deveriam, viu?

2 comentários

  1. Que coragem!
    Com o Brasil atual eu tenho medo de me posicionar.
    Meu blog também anda bem abandonado, mas quando decidi mudar o foco dele tentei não abordar nada polêmico. Sei lá né, estudo História e tanta merda aconteceu e ver isso praticamente se repetindo da um certo medo. Enfim.. Bom post.

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    • Oi Annie!
      Olha, eu pensei muito nisso da coragem. No início eu me blindei, eliminei meus outros blogs subversivos, parei de postar socialmente… Mas, além de estudar História também, eu sou bibliotecária. Já sou naturalmente contra a censura, já tenho todos os livros possivelmente considerados problemáticos (rsrs)… então quer saber? mais fácil assumir e me juntar com quem tá pensando igual. Política do medo é aquela em que todos se calam, e você nem sabe quem pensa como você para te apoiar, ficar sozinho e perdido, sabe? Hoje em dia qualquer quebra no google já prova nossa suposta subversividade só no que a gente busca e lê, mesmo que não falemos… Então eu vou é falar mesmo! Inclusive, vou disponibilizar vários tipos de listas de quem pensa semelhante, em breve 😉

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