Livros que quero ler mas não sei onde comprar

Livros que quero ler… mas onde comprar?

Sabe que minha mania favorita de bibliotecária, na vida, é correr as livrarias e descobrir as novidades. Queria correr é as bibliotecas, mas sabemos que, no Brasil, os livros mais novos demoram a chegar nas estantes – especialmente a) se as bibliotecas são públicas e b) se os assuntos são considerados levemente subversivos.

Então eu continuo percorrendo as livrarias para paquerar, sou periguete literária assumida, no máximo. Minha lista tá enorme, alimentada pelo pessoal que eu sigo no intagram, pelo que eu acho sem ter visto antes, pelo que eu li na Revista 451 (se não conhece, acompanhe, porque é um espetáculo – eu assinei no primeiro ano para ajudar a revista: https://www.quatrocincoum.com.br/br/home).

As livrarias aqui são muito caras. A Livraria Curitiba é uma das mais caras que eu conheci, e olha que eu conheci livraria em metade do país. Então o que eu sempre fazia? Olhava, tirava foto das capas… e catava os livros na Amazon, claro. O preço mais barato da internet (antigamente era no Submarino, cês que são mais velhos lembram?). Lógico.

Aí eu resolvi aplicar a lógica que eu aplico às roupas, sapatos, cosméticos e etc. POR QUE É MAIS BARATO LÁ? Sim, eu sei que você não vai querer pensar nisso para não “estragar seu rolê”, mas né? Pensemos. Porque a Amazon consegue vender um livro recém lançado mais barato que as próprias editoras? Como?

A Amazon começou como uma ideia maravilhosa. E nosso mercado editorial é bem fdp mesmo. Mas, como (quase) toda empresa que consegue vender por preços bem abaixo dos praticados no mercado, o que a Amazon tem é uma cadeia de negócios predatória. No caso, ela estoura nos funcionários, lógico (notícias aqui, aqui, aqui, especialmente esse último). Ou seja, quando você compra deles, você tá dizendo que concorda, tá dando mais dinheiro (como se o Bezzos ter 178 bilhões na conta pessoal não fosse o suficiente). “Ah, Paulla, mas eu não comprar não faz nem cosquinha”. Sim. Mas se metade do público começar a repensar, já ajuda, né? Não vou entrar nessa discussão polêmica, só digo que minha consciência não fica tranquila (“seja a mudança que quer ver no mundo” quer mais brega, mas mais acertado?).

Os livros que tenho buscado, que quero comprar, são os que ou eu não consigo achar em bibliotecas (pelos motivos supracitados) ou que eu quero ter para mim, para ler, estudar, marcar, consultar eventualmente. Aí eu pergunto: compro pelo preço mais caro direto da editora ou numa livraria independente, e compro menos livros, porque vai ter menos dinheiro sobrando; ou compro na Amazon, economizo quase 1/3 do dinheiro, mas financio essa cadeia trabalhista que considero nefasta só para poder ler e ter argumentos contra esse sistema que considero escroto? E aí, qual a lógica disso?

Levantei o preço de 6 livros que queria comprar de imediato. Se comprar pela Amazon, sai a 170 reais. Comprando direto nas editoras, sai a 250. “Nossa, tão mais caro!”. Mas peralá, vamos considerar alguns pontos: Eu vou ler todos os livros de uma vez assim que eles chegarem em casa? Não, nem consigo digerir todas essas informações. Eu preciso “aproveitar o frete” – eu não posso mesmo pagar 10 reais a mais posteriormente? Ou esperar para catar num livraria independente aqui na minha cidade (e ainda curto muito mais, paquero outros livros, tomo um café pelo caminho, além de ajudar a livraria a se manter aberta)?

Outra questão minha é que muito dos livros que quero são de editoras independentes, como a Editora Elefante, a Autonomia Literária, a Boitempo (que é maiorzinha, mas é delícia), a Ubu… então porque não apoiar pagando o preço que o livro vale? Vai mesmo me matar pagar R$10 a mais para a editora? Não tá na hora de repensar essa lógica de consumo que faz nosso dinheiro ir pruns buracos? E eu A-POS-TO que esse dinheiro que você vai economizar comprando na Amazon não vai pra sua poupança… vai pro chopp, pros lanches tudo… E mais: quantos livros não lidos você tem na estante? Daqueles que você aproveitou na Black friday de 3 anos atrás e tão lá, não leu ainda? Você precisa mesmo comprar os 6 livros de uma vez, para ler a perder de vista?

Bom, acho que você já entendeu, né? Vou dizer que meu dedinho não coça quando abro o site da Amazon? Obóvio que não. Que eu não quero comprar tudo quando eu vejo baratex? Quero, tu-do. Mas eu penso dois segundos. E geralmente me refreia. Nem sempre, mas aí eu compro sabendo o que tô fazendo, o que estou financiando, para onde meu dinheiro está indo. E, te dizer? Tá acontecendo cada vez menos.

Ah, um Ps.! Qual é minha lista?

Não-ficção

  1. O ponto zero da Revolução, Silvia Federici
  2. Uma verdade indigesta, Marion Nestle
  3. Pós-extrativismo e decrescimento, Alberto Acosta e Ulrich Brand
  4. Uberização, Tom Slee
  5. O Bem viver, Alberto Acosta
  6. Sintomas mórbidos, Sabrina Fernandes
  7. Uma autobiografia, Angela Davis

Ficção

  1. Este é o mar, Mariana Enriquez
  2. Mulheres difíceis, Roxane Gay
  3. Despertar, Octavia E.Butler
  4. Maternidade, Sheila Heti
  5. Fique comigo, Ayobami Adebayo
  6. MaddAdão, Margaret Atwood
  7. O corpo dela e outras farras, Carmem Maria Machado

 

2 comentários

  1. Oi, Paulla!

    Que bom que você retomou o blog. Achei bem pertinente esse debate que você trouxe neste post. Tenho pensado sobre isso e tentado melhorar meu consumo de livros. Obrigada por compartilhar suas ideias e lista de leitura. Alguns dos títulos coincidem com os meus, então espero que a gente possa trocar impressões de leitura.

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