Imagem da maior ilha de plástico encontrada no Oceano pacífico, do tamanho da Alemanha, Portugal e Espanha, Juntos!

As maravilhas da sociedade moderna

(repensando meus consumos e uma lista de indicações de livros no final)

Eu fui almoçar com a amiga do trabalho, e, pasmem, senti vontade de uma coisa que praticamente aboli da vida há anos: tomar guaraná (refrigerante). Sentei no café e pedi um, e veio numa garrafinha daquela “tipo caçulinha”. Eu só consegui olhar e pensar “sem or, quanto plástico desperdiçado para eu ter 2,5 minutos de consumo, e isso ficar boiando por aí por mais 500 anos”.

Vocês viram que o Reino Unido voltou a distribuir leite em garrafas de vidro retornáveis? Tem gente achando fofo, tem gente achando “old school”, mas a verdade é que é NECESSIDADE mesmo.

Você já parou para pensar em todo “desenvolvimento” tecnológico que rolou nos últimos dois séculos? A vida era difícil, as coisas estragavam, a gente tinha que cozinhar tudo do zero, não sobrava tempo para nada, a gente tinha que usar paninho para absorver menstruação, não tinha geladeira, não tinha carro pra todo mundo, não tinha… aff, não tinha nada, certo?

Certo?

Bom, tinha um nível de poluição diversas vezes menor. Não tínhamos medo do colapso global eminente (óbvio que estou sendo muito simplista em uma análise rasa, viu? Mas aqui não vai ser espaço para um aprofundamento, que vai ficar chato para quem não quer ler).

A verdade é que o ser humano foi catando soluções para os supostos problemas – e elas apareceram! – mas não pensou nas CONSEQUÊNCIAS. Embalagem tetra-pak para o leite não estragar, meu deus, que evolução! Mas como serão descartadas? Ah, depois a gente pensa nisso. Ou garrafas de plástico, pq não? Que tal absorventes e fraldas descartáveis, a evolução das evoluções, e nunca mais limpar fralda de pano suja de cocô, eu ouvi um aleluia, irmão?? Mas como se descarta isso, se não tem como reciclar? “No lixo”, já ouvi. E o lixo vai pra onde? Entra num buraco negro e some pra sempre? Não vai para o aterro, para as praias, para o esgoto não-tratado de comunidades que escoam no mar? Não poluem em quantidades astronômicas, toneladas? E as microparticulas de plástico? E o fato que você esfrega petróleo no corpo e acha que tá tudo bem?

“Mas Paulla, você quer que eu faça o quê? Volte para a idade da pedra??”

Talvez sim, sabia? Quase isso 😛

Desculpa para quem prefere não falar disso – e eu sei que quase todo mundo prefere ignorar. Sei pela quantidade de postagens no instagram de blogueiras de maquiagem, de gente que abre os “recebidos”, dos unboxings – embalagens, mais embalagens e atenção extrema para assuntos não realmente… necessários, digamos. Mas assim, estamos chegando em um ponto que não temos mais como não falar – e enquanto não rolar alguma crise digna de livros apocalípticos/distópicos o pessoal não vai se coçar, não quer se mexer.

Cada um fazendo um cadin, é claro que já ajuda. Mulheres, dêem uma olhada em coletor menstrual. Hoje em dia as tecnologias das fraldas de pano estão espetaculares. Dêem preferência para garrafas de vidro retornáveis.

“Mas eu separo meu lixo reciclável”… Senta aqui pra tia explicar: as coisas podem ser “recicláveis”, mas nem por isso são recicladas, viu? Copos descartáveis, por exemplo, são tão custosos para serem reciclados que simplesmente não são. 1% do lixo plástico do Brasil, é reciclado. Só. Lâminas de barbear. Embalagens tetra pack. Qualquer embalagem de plástico com adesivo colado. Saquinhos de plástico que vem fruta no mercado (isso quando o ser humano não consegue ser idiota a esse ponto, ou como nas imagens abaixo).

Tangerinas descascadas embaladas em plástico, a burrice humana.
Idiotice humana em potência elevada

Que beleza poder comprar roupa a 10 reais na loja nova do shopping, né? Mas a que custo? Comprar roupa nova sempre e se desfazer das suas como? Comprar roupa barata que rasga em dois usos e jogar fora como – você sabe que roupas não são recicláveis, né (Indico a leitura desse post da Insecta)? Além do documentário The True Cost, que tá na Netflix e é uma ótima introdução para quem nunca pensou nisso.

Pilhas de roupas descartadas poluindo ambiente verde
“Tá só dez reais, e daí que vou usar só duas vezes?”

INCLUSIVE, tem diversos documentários sobre consumo na página de indicações de documentários do bloguinho. Obviamente que ela precisa ser atualizada, mas eu não tive disposição para isso ainda (quem sabe em breve? Eu vi tanta coisa nos últimos tempos..)

Eu poderia passar HORAS debatendo isso aqui – vou falar mais em breve, mas em doses homeopáticas, acreditem, mas vou fechar com algumas indicações de leitura. Muitas dessas eu mesma não li ainda, mas são recomendadíssimos e estão na minha mira. Como muitos são de homens e eu ainda estou no desafio de primavera, vão ficar pro ano que vem, rs.

AH, antes que me questionem: sim, são livros anticapitalistas (não sei se reparou, mas todas essas questões aí colocadas estão atreladas ao sistema econômico vigente) e ligados ao que chamam de “sociedade do bem-viver”, a favor do decrescimento econômico para que consigamos, assim… manter o planeta? Ter planeta Terra habitável, sabe? Até o Financial Times, jornal que é a bíblia de Wall Street já falou sobre “repensarem esse sistema” – então se você continua defendendo ferrenhamente, é pq alguma coisa tá te escapando aí…

Tem mais algum indicação de livro bom para (re)pensar nossa sociedade predatória? Manda aí que tô quereni!

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