Como vocês estão se ocupando?

Nessa última semana fizemos 4 meses de isolamento devido à COVID. 4 fucking meses, sem poder andar livremente por aí. Sem poder ir aos parques, sem poder sentar numa mesa de restaurante, sem ir pro boteco com os amigos, sem aglomerações. Tirando as pessoas que precisam se arriscar e ir para a rua para trabalhar, EU ESPERO que você esteja tendo consciência e ficando em casa.

Eu sou privilegiada. Estou trabalhando de casa, meu salário está na conta. Não preciso me expor na rua. Eu tenho consciência de todos os meus privilégios. Isso não quer dizer que minha saúde mental não esteja pra lá de fragilizada.

A verdade é que tá difícil pra todo mundo. Quem mora com a família tá tendo que lidar com todo mundo dentro de casa, crianças estressadas, trabalho remunerado e não remunerado. Quem, como eu, mora sozinha, tem que lidar com a parede ecoando a própria voz, as plantas começando a responder, a cachorra olhando com cara de “cansei de você, vai sair não?”

Eu passo dias ok e dias muito ruins, em que só tenho força pra deitar na rede e assistir filme porcaria. Sensação de que nunca vou conhecer os lugares que eu queria (ai, cidades históricas de Minas, por que não visitei vocês antes??), que não vou mais conversar pessoalmente e sem máscara com ninguém, que entrar em livrarias é um sonho distante.

Na minha cabeça, é como se eu vivesse em um livro distópico. Me lembra o A Noite que devorou o mundo, sabe? Eu preciso ficar em casa e só sair para o básico porque a rua está cheia de zumbis que querem me infectar. Eu preciso me ocupar em casa, sem ficar pensando em quanto tempo isso vai demorar a passar. Tento lembrar que pelo menos não estamos em guerra (ainda); que não falta comida (ainda); que estou segura no meu apartamento (ainda).

Então como me ocupar? Como não achar que o tempo em casa é um sem-fim de dias iguais passando? Porque desculpa te lembrar, mas 2020 não vai ser um ano cancelado no calendário… você vai fazer aniversário SIM, vai ter natal e ano novo SIM (para quem se importa com essas datas)… e sabe lá quando vamos poder ir pra rua de novo.

Conversando com uma pessoa, comecei a fazer uma lista de ocupações da quarentena, incluindo as categorias “coisas que sempre quis fazer e dizia que não tinha tempo”, “coisas aleatórias que nunca pensei que faria” e “total besteiras que posso fazer de qualquer jeito”:

  • pintar as paredes (detesto lixar, acho que demora… mas tempo tem sobrado, né?)
  • escolher três receitas para testar por semana, inclusive aquelas que você acha que nunca vão dar certo, tipo “souflé” ou “creme brûlée”
  • se houver algum dinheirinho de sobra, investir naquela tranqueira que vai te deixar feliz (aqui rolou pipoqueira elétrica e moedor de café)
  • gravar um podcast (mesmo que ninguém ouça)
  • ver a filmografia daquele diretor (ou ator, ou produtor) que adoro
  • fazer listas de tudo, de livros a ler até lugares que eu queria ir
  • visitar museus virtuais
  • aprender a usar direito a máquina de costura
  • bordar os quadrinhos que já prometi pra umas 5 pessoas
  • escrever cartas à mão
  • passar uma tarde inteira ouvindo música no fone, lendo as letras e pensando “gente, que troço idiota, eu jurava que era mais profunda!”
  • meditar (quase) todo dia
  • escolher uma das listas para colocar em prática (não adianta listar os livros que quer ler e não sentar a bunda para ler!)
  • colocar a mesa para comer, ao invés de comer sempre na frente da TV
  • e no dia seguinte comer no sofá, assistindo alguma coisa boa
  • estudar alguma coisa que interessa, mas que geralmente fica preterida (no meu caso, filosofia, editoração)
  • escrever em algum lugar (ok, eu mal tenho aparecido no blog, rsrs)
  • separar as coisas em casa que você percebeu que, mesmo com 4 meses como interna, não tem uso
  • procurar uma causa para apoiar: pode ser um apoio de artista, uma pastoral da igreja, coletivo que distribui comida, alguém precisando de ajuda
  • usar as coisas que você guarda para ocasiões especiais: toalhas de mesa, talheres, copos, taças

Eu sei (espero?) que uma hora vai passar.. mas até lá eu prefiro não ficar pensando muito, isso de prazo “até outubro”, “até o final do ano”, “só em 2022″…

E vocês, o que tem feito para ocupar a quarentena?

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