Ryane Leão Poesias - Tudo nela brilha e queima - Jamais peço desculpas por me derramar

Ryane Leão e sua poesia

Já faz um tempo que andava paquerando os livros da Ryane, mas com algumas ressalvas. Há alguns anos a “poesia que não parece poesia” virou moda, e eu já li alguma coisa dela, como os livros da Amanda Lovelace e da Rupi Kaur. Essa poesia é definida, para mim, como frases em prosa organizadas de forma a parecerem poesia. Em geral, não possuem métricas ou rimas. Nada contra, mas dei uma enjoada – por isso demorei a catar os livros da Ryane.

Aproveitando que o livro dela estava com preço errado na vitrine da grande livraria (sim, sou dessas, e “vou pagar o preço de divulgação”), comprei. A grande vantagem, para mim, é que é uma leitura fácil; em 1,5h eu termino um desses. O outro, depois de muito tempo, apareceu como parte do Kindle Unlimited, e foi devidamente consumido (até para valer a pena o que pago de assinatura, rsrs).

Para contextualizar, Ryane Leão é cuiabana, e mora em São Paulo. Como mulher preta (como prefere se definir), escreve “poesias de resistência”, assim como participa de competições de slam (espécie de festival de poesia falada, geralmente com temáticas de debate social – resistência feminina, periférica, negra, não-heteronormativa). Isso, para mim, já é uma enorme diferença entre ela e as autoras citadas lá no início.

Não me entendam mal – cada uma escreve lidando com demônios e sentimentos, e imagino que quem passou por algo parecido com uma ou outra se conecte mais. Mas, na minha humilde opinião, Ryane descreve de forma mais assertiva as situações que passou, fala de fortalecimento, aprendizado – o foco dela é mais no momento de levantar e sacudir a poeira que nas quedas.

Sim, apesar de cada uma lidar com seus demônios, a maioria vindos da condição de mulheres na sociedade predatória que temos, Ryane tem mais… força.

Título: Tudo nela brilha e queima

Autora: Ryane Leão

Editora: Planeta

Páginas: 199 p.

Ano: 2017

Formato da leitura: Livro digital

Premissa essencial de conduta:
ser vulcão
sem culpa

_

Título: Jamais peço desculpas por me derramar

Autora: Ryane Leão

Editora: Planeta

Páginas: 160 p.

Ano: 2019

Formato da leitura: Livro físico

Regra de sobrevivência

bagunce, suma
desista, chore
atrase, grite
pire, beba
enlouqueça do jeito
que preferir
pra aguentar isso aqui
a gente tem que sair da lucidez
de vez em quando (p.91)

Recomendo. Observando que tem muita referência às religiões afro (espero que seus leitores sejam, no mínimo, tolerantes às divergências ideológicas), força feminina, antepassados, ausência de figura paterna. Alguns poemas mais longos, que ela declamou em slams, são meus favoritos.

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