Livro Quatro Futuros, de Peter Fraser, encostado em uma planta Ficus

Quatro futuros, Peter Frase

Título: Quatro futuros: a vida após o capitalismo

Autor: Peter Frase

Editora: Autonomia Literária

Páginas: 170p.

Ano: 2020 (1. ed 2016)

Formato da leitura: Livro físico

Sinopse: Em uma exploração emocionante e divertida das utopias e distopias que poderiam se desenvolver a partir da sociedade atual, Peter Frase argumenta que o aumento da automação robótica e uma crescente escassez de recursos, graças às mudanças climáticas, transformarão profundamente o mundo como conhecemos. Neste livro, Frase segue os preceitos daquilo que Max Weber chamava de “tipos ideais” para tentar imaginar como esse mundo pós-capitalista pode parecer, empregando as ferramentas da sociologia e da ficção especulativa para explorar o que o comunismo, o rentismo, o socialismo e o exterminismo podem realmente acarretar. O ponto de partida de toda a análise é a certeza de que o capitalismo vai acabar, e que, como disse Rosa Luxemburgo diante da I Guerra Mundial, ou a sociedade “entra em transição para o socialismo, ou regride para a barbárie”. Misturando ficção científica, teoria social e as novas tecnologias que já estão moldando nossas vidas, Quatro Futuros é um balanço dos socialismos que podemos alcançar se uma esquerda ressurgente for bem-sucedida frente à barbaridade que encontraremos se esses movimentos falharem.

Opinião: É um livrinho que junta, praticamente, meus dois tipos de leitura favoritos do mundo mundial: estudo sociológico e distopia/scifi. Não tem como não me empolgar com isso! E se você, como eu, já se desesperou pensando em como será nosso futuro como sociedade economicamente ativa, esse é pra você. Onde vamos parar? Quando vemos todos os documentários sobre escassez, destruição natural, falta de água em futuro eminente… lendo sobre ecossocialismo e vendo essa alternativa (viável) cada vez mais distante, sem nenhuma esperança na humanidade… mas quais são as alternativas? Pra onde podemos estar indo?

Peter Frase, que é editor da revista Jacobin americana, parou para organizar (e compartilhar com o público) suas ideias sobre o colapso de nosso sistema econômico insustentável: quais são as principais possibilidades de vida na terra com o “fim do capitalismo” (proposital ou acidental)?

A importância de se avaliar possibilidades ao invés de probabilidades é que isso coloca no centro a nossa ação coletiva, enquanto que fazer previsões confiantes apenas encoraja a passividade

p. 42

Frase introduz o leitor, explicando a base da nossa sociedade atual / futura, e que é inevitável: catástrofes ecológicas X automação extrema; ou seja, ficaremos sem recursos, e as máquinas “tomarão os empregos” (se o viés do assunto interessa, recomendo fortemente o “21 lições para o século XXI”, do Yuval Harari). Com a combinação de fatores “simples” que levam a caminhos diferentes (decisões políticas e sociais). Abundância X Escassez, Igualdade X Hierarquia; a partir daí, ele apresenta 4 futuros possíveis (o nome do livro: tá-dá!): Comunismo, Rentismo, Socialismo, Exterminismo.

Um texto recheado de referências a outros sociólogos, de livros de distopia/scifi (<3), comparações com Star Trek e Vida em Marte, e explicações mastigadas fazem o livro muito acessível; não é uma linguagem acadêmica. Meu exemplar está absolutamente todo rabiscado… anotei outras referências que o autor não comentou (com minha AMPLA biblioteca distópica em mente), vários pontos de exclamação, mais livros pra minha lista de “quero ler”.

Sabe o que me lembrou? O último episódio da série “Love, Death and Robots”, da Netflix. Nele temos seis alternativas de futuro possíveis a partir da morte de Hitler antes de sua ascensão ao poder – e cada um mais absurdo que o outro, alguns levando há milhares de anos no futuro. Recomendo demais! Inclusive, recomendo a série inteira, rsrs

Um livro pequeno (formato A5) e fininho, mas que deu trabalho pro meu cérebro processar, especialmente nesse ano tão desgracento – inclusive, comecei a ler em julho e só consegui retomar em dezembro, depois que minhas tendências ao desespero voltaram a níveis aceitáveis. Ao ler a introdução eu pensei “é demais pra mim, agora” e encostei ele na estante. Quando retomei, li em dois dias ao final, foi mais uma leitura divertida que qualquer outra coisa 🙂

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