Capa do livro Discurso sobre o Colonialismo, e a cachorra Frida sentada no sofá ao fundo

Discurso sobre o colonialismo, Aimé Césaire

Título: Discurso sobre o colonialismo (Discours sur le colonialisme)

Autor: Aimé Césaire (Martinica)

Editora: Veneta

Ano: 2020 (1ª ed. 1955)

Formato: Papel

Sinopse: Racismo, fascismo, colonialismo e Aimé Césaire, o criador da palavra negritude Este livro é uma declaração de guerra. Guerra ao racismo, ao colonialismo e à pomposa hipocrisia de intelectuais e políticos a serviço do capitalismo. Escrito por um pensador político que foi ao mesmo tempo um dos maiores poetas da língua francesa no século XX, Discurso Sobre Colonialismo é um monumento de elegância, ironia e fúria em forma de texto. Lançado originalmente em 1950, na França, a influência deste pequeno livro é imensa. Tornou-se a bíblia de todos os militantes anticolonialistas em luta contra a dominação europeia, inspirou os líderes do movimento pan-africano e também os Panteras Negras, é citado (várias e várias vezes) por Frantz Fanon e citado também por Raoul Vaneigem, em seu A Arte de Viver para as Novas Geração, o best seller situacionista do Maio de 68 francês. Talvez até mais atual hoje do que quando foi lançado, este livro demonstra que o fascismo é filho do colonialismo. Que o racismo é ferramenta fundamental da exploração capitalista. Que Hitler vive em cada burguês. No Brasil de hoje, ajuda a entender que a mais recente emersão do fascismo, com toda sua brutalidade, ignorância e racismo, é menos uma reação a avanços nas questões sociais, que resultado da brutalidade, ignorância e racismo serem as armas básicas do capitalismo em sua luta de sempre para preservar a infame desigualdade social brasileira. Uma obra fundamental, urgente para nossos tempos, numa edição ilustrada por Marcelo D’Salete e traduzida por Claudio Willer. Com notas explicativas e uma cronologia da vida, obra e combates de Aimé Césaire.

Opinião:

QUE LIVRO.

Terminei de ler já precisando reler. O livro é dividido em duas partes; na primeira consta o texto de Césaire, com notas explicativas esplêndidas. Não fica claro se as notas são do tradutor (Cláudio Willer) ou do escritor da segunda parte, Rogério de Campos. A segunda parte é composta por uma cronologia, que acompanha desde as primeiras viagens colonialistas (me recuso a usar a ridícula frase “viagens de descobrimento”) até a morte de Césaire. Aqui, Campos incluiu os principais marcos contra os povos colonizados, os envolvimentos de países “civilizados” (pergunta: pq raios os Estados Unidos são vistos como “bons”, em quaisquer aspectos, posso saber??), as revoltas e revoluções, além da cronologia do próprio autor.

OUSEJE: Depois de ler a cronologia, acho que os olhos abrem – ainda mais – para o texto de Césaire. Ler de novo, sim ou claro?

Da minha parte, se evoquei alguns detalhes dessas horrendas carnificinas (…) Elas provam que a colonização, repito, desumaniza até o homem mais civilizado; (…) a conquista colonial fundada no desprezo pelo homem nativo e justificada por esse desprezo, inevitavelmente, tende a modificar a pessoa que o empreende;

p. 23

Para quem tá precisando se situar, colonialismo (muuuuuito simplificadamente) é o nome que damos ao movimento de ocupação dos espaços não-europeus, notadamente africanos, asiáticos e latino-americanos, com objetivo de explorar e transformar o espaço em uma “extensão” de certo país.

Apesar do que “aprendemos” (decoramos?) no colégio, que as “Grandes Navegações” vendem a ideia como uma coisa linda, o “descobrimento” do mundo, te pergunto: que direito as pessoas tem de chegar em terras onde JÁ MORAM outras pessoas, independente do grau de avanço de qualquer de suas áreas (comparativamente ao seu próprio, digo), e falar que aquele espaço, aquela terras, aquelas riquezas, e principalmente, aquelas PESSOAS, são “suas”?

Senti falta de um mapinha. Quando você lê alguma coisa sobre países, costuma procurar no mapa onde eles estão? Onde se localizam geograficamente, e por isso, como se relacionam com o entorno? Achei importantíssimo ter um bom mapa a mão para entender melhor, cada vez que havia comentários sobre as repúblicas africanas, e especialmente ali na América Central, composta por ilhas (e cada uma com um país colonizador diferente, imagine). Inclusive, Editora Veneta, vocês poderiam pensar em incluir um mapa na próxima edição, hein? 😛

A Martinica fica ali, ó: ilha, antilhana, América Central

Minha sensação foi de porrada na cara MESMO. Só para contextualizar, já não é de hoje que eu sou grande defensora da cultura latino-americana (penso em fazer História, inclusive, para me aprofundar em Latino-américa). Leio alguma coisa sobre colonialismo, violência colonial, subjugação e afins, mas Césaire… ai, o que dizer desse homi, gente? Ele colocou em palavras o que ninguém queria falar em voz alta na época (continuam não querendo hoje, inclusive).

Ahhh, e pra fechar com chave de ouro, os capítulos de Aimé são separados por ilustrações do Marcelo D’Salete, nosso autor/desenhista ganhador do prêmio Eisner (um “oscar” dos quadrinhos).

Outras recomendações: Para quem se interessar pela temática “colonialista” na América Latina, recomendo o podcast “Pulso Latino”, que fez uma série explicativa, com um episódio para cada país de interesse (inclusive, eu ouvi o do Haiti depois de terminar o livro, e tava mais do que com sangue nos zóios!)

Também recomendo os quadrinhos do D’Salete, a maioria com temática racial – tanto o vencedor de prêmios Angola Janga (histórico) quanto a série Encruzilhada (tempos atuais)

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