Livros Sonhos elétricos ao lado de uma Alexa

Sonhos elétricos, Philip K. Dick

Título: Sonhos elétricos (Electric dreams)

Autor: Philip K. Dick (EUA)

Editora: Aleph

Ano: 2020 (1ª ed. 2017)

Páginas: 247 p.

Formato: Papel

Sinopse: Philip K. Dick publicou seus primeiros contos no início dos anos 1950, e neles já se notava a natureza inquietante de toda a sua obra. Ao questionar incessantemente o que está por trás das aparências e o que nos define como seres humanos, Dick sobrepôs realidades, subverteu o tempo, vislumbrou autômatos e mundos extraterrestres enquanto mergulhava a fundo na mente humana.
Dessa perturbadora mistura nasceram textos incríveis e cheios complexidade, que há décadas vêm inspirando o universo do cinema e da tevê. Esta edição reúne os dez contos adaptados para a série de TV Electric Dreams, apresentados pelo roteirista de cada um dos episódios. Os textos abordam realidades paralelas e distópicas, a relação entre homens e máquinas além de outras temáticas ao gosto desse mestre da ficção científica. Um reflexo de sua maneira muito pessoal e desconfiada de ver o mundo.

Opinião: De todos os escritores de sci-fi das décadas de 1940 a 1980, Dick é sem sombra de dúvidas o meu favorito. Além de publicar muitos livros, foi um contista prolífico – a quantidade de filmes de ficção científica baseados na obra dele é um indicador de sua popularidade; só para citar alguns, dos mais recentes e famosos, temos: Minority Report, Total Recall, Blade Runner.

Essa coletânea, lançada no Brasil pela Aleph, tem um objetivo específico: acompanhar a série da Amazon Prime “Electric Dreams”. Foram escolhidos 10 contos do Dick e oferecidos para dez roteiristas/diretores; assim, cada episódio da série é a adaptação de um conto. O livro traz, antes de cada conto, uma pequena explanação do roteirista, dizendo porque escolheu aquele texto, se mexeu muito ou pouco, em como pensou em um novo final.

Eu comprei o livro para fazer o combo “ler + ver”. Eu lia a introdução ao conto, o conto em si, e via o episódio correspondente. Pensando agora, devia ter feito o contrário, primeiro visto e depois lido… é que eu tenho a mania de pensar “mas não era assim!”. Veja bem, eu sei que é uma adaptação, e eu não cobro que as coisas sejam idênticas, obviamente; e tiveram adaptações que foram atualizadas para nossas tecnologias e ficaram muito, muito boas (lembrando que a maior parte dos contos foi escrita entre as décadas de 1950 e 1970). Mas é que eu acho, sinceramente, muito difícil “melhorar” um trabalho do Dick (sim, sou fã dele a esse nível). O cara conseguia pensar numas coisas, numa histórias, que meu cérebro ainda fica de queixo caído quando processa.

O que eu achei mais “modificado” para a atual tecnologia que dispomos é o episódio baseado no conto 6, “Foster, você já morreu”. No conto, Foster é um menino doido para a família comprar um novo bunker anti-guerra, que todos da cidade possuem, menos eles – e para fomentar a economia, esses bunkers são constantemente atualizados, te forçando a se endividar para ter as últimas versões (quaisquer semelhanças com os tempos atuais é mera coincidência… ou não?). Na série, também são equipamentos de segurança, mas de outros tipos.

O episódio que eu mais gostei foi o segundo, adaptado do conto Autofab – é beeem modificado, mas eu achei a premissa um espetáculo – e o final do episódio quase mais legal que o conto. E o que eu achei que ficou mais parecido com o livro foi o episódio “O planeta impossível”.

Se você tem acesso à Prime, e curte ficção científica, eu recomendo a série, fortemente; se puder ler o livro e fazer suas comparações, recomendo mais ainda. E se não for muito fã de séries (eu, particularmente, não sou), leia o livro. Ler Dick nunca é perda de tempo.

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