Brutta Figura, Ana Elisa Granziera

Título: Brutta figura

Autora: Ana Elisa Granziera

Editora: Chiado

Ano: 2021 (1ª ed. 2021)

Páginas: 284 p.

Formato: Digital

Sinopse: Brutta figura é um romance autobiográfico. Uma narrativa pessoal e introspectiva, deliciosamente bem-humorada, que abre ao leitor os conflitos internos de uma mulher, que se acredita menina, em busca de independência, maturidade e ruptura, numa jornada solitária de trinta dias por cidades italianas. Ao descrever uma viagem ocorrida dezesseis anos atrás, Ana Elisa Granziera leva sua versão jovem pela mão, por caminhos de espelhos, criando uma imagem caleidoscópica de sua vida: passado, presente e futuro. Mais do que um relato de viagem a um país estrangeiro, Brutta Figura é uma viagem por memórias. Lembranças fugidias da cor do mármore de uma igreja à luz de velas, do cheiro do cappuccino quente numa praça de tijolos vermelhos. Uma história composta de impressões, como os fantasmas de luz que se dissolvem na retina ao fechar rápido das pálpebras.

Opinião: COMPRE. O. LIVRO.

A Ana é tipo uma amiga que não faz ideia que eu existo. Eu a acompanho há onze anos, através de seu blog. Desde que ainda era vegetariana, desde antes de ter filhos, desde o tempo em que ela ainda passava HORAS na cozinha. Foi através dela que comecei a ler sobre comida de verdade (foi ela quem me introduziu o Michael Pollan – obrigada!), a me preocupar com outros aspectos do que colocava no prato além de calorias. Artista múltipla, seus desenhos e pinturas são maravilhosos (a capa do livro, inclusive, foi ela mesma que elaborou e pintou).

Se você olhar o blog dela encontrará, no lado direito da página, a foto de uma placa que diz “Un pasto senza vino è come una giornata senza sole” (Uma refeição sem vinho é como um dia sem sol), tirada em uma trattoria italiana, em uma viagem solo que fez aos 24 anos. Quem acompanha essa mulher maravilhosa há anos sabe o quanto essa viagem foi importante para seu crescimento, como cozinheira, como pessoa, e o quanto isso influenciou seus pensamentos. Pois bem, esse livro é sobre ESSA VIAGEM.

Você já teve vontade de gritar “vou largar tudo e vou!”? Pois é, é mais ou menos o que ela fez. Tanta gente que não consegue se imaginar indo sozinha sequer ao cinema (adoro, inclusive), quem dirá um mês inteiro mochilando em outro país! É uma delícia acompanhar os cagaços e as glórias da Ana novinha, como a ideia de viajar foi plantada em sua cabeça, as dúvidas, o planejamento, as relações familiares.

Ana passeia por diversas cidades italianas, com todos os perrengues possíveis: não ter fluência na língua, medo de estar sozinha, marcar as estadias em albergues, por telefone (e nem sempre dar certo de primeira!)… lembrando que a viagem dela foi antes das facilidades dos celulares com câmera e internet, do google na palma da mão, de abrir o mapa com localização em tempo real, caso se perdesse.

Eu já havia aprendido (com ela!) que lugar bom de comer quando viaja é lugar onde os locais comem – se estrangeiro, que nem tenha cardápio bilíngue. Mas ler, em narrativa, os pequenos cafés, os cappuccinos, os pratos de massa fresca e molho mais fresco ainda… aiai. O livro dá fome, vontade de comer, e gatilho de viajar, que tem dois efeitos nesse isolamento: a sensação boa de estar longe sem sair do lugar, e a tristeza de querer sair por aí, e não poder.

Eu tentei aproveitar a leitura o máximo que pude: procurei os lugares no google, para ver imagens; nomes de cidades, de restaurantes, de museus e obras. Ri, fiquei aflita (a passagem do “descer de bunda” me representa, viu?), e olha… comi foi massa, enquanto tava com ele nas mãos, hein? Putz grila, rsrsrs!

Eu não tinha dúvida que a escrita seria deliciosa – tanto que comprei o ebook na pré-venda e marquei na agenda o dia em que estaria disponível no kindle, para começar a ler assim que chegasse. Eu não faço propaganda para o inferno da Amazon, mas essa mulher, que escreveu, catou editora e publicou sozinha, com toda a sua ansiedade, mais que merece – clica no link para olhar.

Tenho certeza que tem um punhado de gente por aí, que tem a Ana Granziera como uma amiga há anos, incluindo ela em conversas com pessoas que nem a conhecem – “Ah, a Ana bem que tinha comentado que no Canadá não pode levar lanche com nuts nas lancheiras” ou “eu ‘conheço’ alguém que teve fascite plantar” (aqui, uma livre interpretação de conheço) – está se refastelando com o livro, lambendo os beiços e a ponta dos dedos, e sentindo um quentinho no coração. Como eu.

Ps. Espero que ela esteja escrevendo outro livro, um posfácio, um conto a ser divulgado, sobre o que aconteceu no momento em que o livro termina – pq eu tenho MEIO MILHÃO de perguntas… e mesmo já tendo lido muito sobre isso no blog (quando ela comenta algo como “quando pintei o cabelo de roxo” e eu grito “ahhhhh eu lembro disso, do blog!”)… ah, eu quero é outro livro 😛

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