Dias de abandono, Elena Ferrante

Título: Dias de abandono (I giorni dell’abbandono)

Autora: Elena Ferrante

Editora: Biblioteca Azul

Ano: 2016 (1ª ed. 2002)

Páginas: 201 p.

Formato: Digital

Sinopse: A obra, originalmente publicada em 2002 e ainda inédita no Brasil, a escritora escondida pelo misterioso pseudônimo utiliza suas palavras cortantes e sua clareza brutal para percorrer o turbilhão emocional vivido por Olga após um casamento fracassado. Traída e se sentindo abandonada pelo marido, a personagem enfrenta conflitos internos em meio à nuvem cinzenta da desolação e da nova e inquietante realidade que se apresenta.

Em Dias de abandono, Ferrante escancara a dor da rejeição moldada pelos sentimentos e particularidades de uma mulher. Em um corajoso e às vezes violento mergulho existencial, Olga vai aos poucos substituindo um atormentado desejo de redenção por algo ainda desconhecido.

Opinião: Estou enrolando pra ler Ferrante desde… sempre. Não sei, alguma coisa em todo hyppe e escândalo em torno dela me afasta. Fora que não estou com muita disposição em ler séries de livros, e sua obra mais famosa é uma coleção de quatro volumes (a tetralogia Napolitana, que virou série na HBO com o nome “A amiga genial”).

Apenas para contextualizar, para quem nunca ouviu sobre a autora (o que eu duvido muuuuito – se você gosta de ler, e frequenta instagrans e blogs de leitura, já ouviu falar dela), Elena Ferrante é um pseudônimo, e até agora, ninguém sabe quem está por trás dele. A maior parte de seus livros se passa na Itália, em geral com protagonistas femininas.

“Dias de abandono” chegou aos meus olhos por causa do Grupo de Leitura do Podcast Pistolando, formado pelos apoiadores catárticos (e minha companhia constante nos últimos meses – obrigada, grupo). Como é um livro único, e inclusive curto, eu decidi que era hora de tirar minha virgindade quanto a literatura dessa mulher.

O plot do livro é simples: Olga, mulher por volta de quarenta anos, dois filhos pequenos, é “largada” pelo marido; e nós acompanhamos a história inteira pelo ponto de vista dela, através de seus olhos e por dentro de seus pensamentos. Há considerações anteriores à separação, com Olga explicando como o relacionamento se firmou, coisas que passaram com o casal, até a fatídica data em que Mario sai de casa, e as consequências disso.

Acompanhamos como a vida de Olga para enquanto sente que sua vida “confortável” está desmoronando – e como ela não era tããão confortável assim. Mario não apenas se separa dela, como, a princípio, some. Como lidar com dois filhos pequenos e dizer que o pai, até então presente diariamente, não dá notícias? O cachorro, que quem arrumou e cuidava era ele? Ela vai perdendo o senso de realidade, o pensamento obsessivo do “POR QUÊ?”, de descobrir (e ver!) o motivo; as decisões que precisam ser tomadas, pois a vida continua – mas como continuar após o abandono?

Eu entendi porque o escândalo sobre a autora, na verdade. O livro é DESCONFORTÁVEL. Não tem outra palavra, a narrativa é angustiante, sufocante, claustrofóbica – e só uma escritora muito boa no que faz consegue passar essa miríade de sentimentos através das palavras. Em duas das cenas eu me senti tão mal que tive que fechar o kindle e respirar antes de continuar. Estamos dentro da cabeça da Olga, e ali os pensamentos se sobrepõe, e ela se culpa, se exime, se compara, grita, chora. Personagens muito humanos, com sentimentos e pensamentos não lá “muito virtuosos” – se você já passou por alguma separação difícil, com alguma parte você vai se identificar!

A discussão do clube de leitura foi longe: de autoimagem à sociabilização de mulheres em diferentes espaços/tempos, passando por experiências pessoais, é incrível tudo o que cada um de nós se atentou e interpretou e entendeu. Ao final, eu entendi a gritaria em torno de Ferrante (a escrita dela realmente “te pega pelas bolas”) – mas, sinceramente, não pretendo ler outra coisa dela tão cedo. Minha lista de livros a ler tá muito grande, e ela não me convenceu que deveria “furar a fila”.

PS. Enrolei pra escrever isso pois: corro o risco de ser linchada, pq ô povo apaixonado esse grupo fã da Ferrante, nossinhora! Já ouvi até que “se eu não gostei foi pq não entendi”… ABIGUINHO, ninguém é obrigado a gostar da mesma coisa que você, viu?

Se você quer começar a ler a autora, esse livro é rápido, os capítulos são curtos. Mas NÃO RECOMENDO para pessoas passando por processos depressivos, especialmente se derivados de separações recentes. Apesar de catártico e com final tranquilo, as cenas no meio podem ser gatilhos bastante fortes.

 

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