Kindle com a capa do livro Maternidade, de Sheila Heti, sobre uma mesa, ao lado de um crochê

Maternidade, Sheila Heti

Título: Maternidade (Motherhood)

Autor: Sheila Heti, Canadá

Editora: Companhia das Letras

Ano: 2019 (1ª ed. 2018)

Páginas: 271 p.

Formato: Digital

Sinopse: Em Maternidade, Sheila Heti reflete sobre os ganhos e as perdas para uma mulher que decide se tornar mãe, tratando a decisão que mais traz consequências na vida adulta com a franqueza, a originalidade e o humor que lhe renderam reconhecimento internacional por seu livro anterior, How Should a Person Be? Ao se aproximar dos quarenta anos, numa fase em que todas as suas amigas se perguntam quando irão ter filhos, a narradora do romance intimista e urgente de Heti — no limiar entre a ficção e autorreflexão — questiona se aquela é uma experiência que ela quer ter. Numa narrativa que se estende ao longo de muitos anos, moldada a partir de conversas com seus pares e seu parceiro e de sua relação com os pais, ela se vê em um embate para fazer uma escolha sábia e coerente. Depois de buscar ajuda na filosofia, no próprio corpo, no misticismo e no acaso, ela descobre a resposta num lugar bem mais familiar do que imaginaria.

Opinião: Esse livro entrou no meu radar assim que foi lançado. Eu fico às voltas com os debates de maternidade desde que expressei em voz alta, para a sociedade, que não queria ser mãe (e inclusive que queria ligar as trompas, apesar de no Brasil ser quase impossível). Eu sempre detestei que desautorizassem minhas próprias opiniões falando coisas como “você pensa assim pq vc tá nova” e outras besteiras patriarcais (ou só escrotas mesmo). E sabe o que é pior? Se eu realmente mudasse de ideia, não ia ser porque eu pensei e decidi que queria passar por isso, nãããão… seria só para “corroborar” a opinião dos sabe-tudo que ficaram me apurrinhando por anos.

É mais comum achar livros de personagens que querem ou não querem ser, ou sobre a dicotomia das relações entre pessoas que decidem ser mães e pessoas que decidem não ser. Esse livro é inteiro refletindo sobre o momento da tomada de decisão. Quando você entendeu que queria ser mãe? Quando você percebe que seu relógio biológico está correndo? Porque a verdade é que os homens podem pensar nisso até muito mais tarde. As mulheres tem um “prazo” – e mesmo que atualmente esse período seja estendido em relação ao passado, não quer dizer infinito: uma hora se cruza o limiar entre poder gerar e não poder mais.

A personagem principal, em um relacionamento estável e já aos 39 anos, se pega refletindo sobre a questão, já no limiar da idade “útil” da mulher. E então, ela vai deixar passar a “oportunidade” de ser mãe? Ela começa a analisar seu próprio relacionamento familiar, a relação com a filha do namorido, e as pressões sociais sobre as mulheres em termos de reprodução social.

Uma das frases que mais me pegou pergunta se a utilidade da mulher é exclusivamente a reprodução – e se for, quão “útil” é uma mulher que decide não ter filhos? Tenho que dizer que já passei muito tempo pensando nisso. Não passar pela experiência de gerir e criar, me faz menos humana? Menos útil? É realmente uma escolha? O fato de eu ter visto minha sobrinha crescer na minha casa já me sacia, além de trocentos outros pensamentos sobre isso. Colocar um filho no mundo hoje… acho engraçado que o argumento que mais ouço é que “quem não quer ter filho é egoísta” – mas egoísta também não seria alguém que decide reproduzir exclusivamente pq tem vontade? Qualquer decisão que você tome relacionada a você, É EGOÍSTA, cacete!

Algumas pessoas que conversei não entenderam a vibe do livro, e eu acho justo. Eu me identifiquei muito, mas pq estava em um momento em que aquelas mesmas questões estavam passando na minha cabeça (trechos inteiros que poderiam ter sido escrito por mim, inclusive).

Se você está nesse momento, pode ser legal você ler. Mas leia com a cabeça aberta.

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