As sequelas não-físicas dessa pandemia

OBS.1: Escrevi esse post pro meu outro blog, mas ele tinha que parar aqui também.

OBS.2: Se você não quer ler sobre isso, está no blog errado. Mas aqui tem uma postagem de uns 2 anos explicando porque eu não sou mais “isentona”.

(então seguimos:)

Estamos retrocedendo, de todas as formas possíveis.

Nem preciso começar dizendo que o retrocesso foi anunciado em 2018, quando o país elegeu uma pessoa racista, homofóbica, machista, negacionista, falso-religiosa e essencialmente burra. Tudo que está nessa descrição pode ser provado com discursos e falas públicas, então é mera observação empírica.

Desde então vimos cair: nossas legislações trabalhistas (as que defendem NOSSOS TRABALHADORES, e não multinacionais que levam dinheiro para o exterior); nosso apoio à educação; nossa verba de saúde.

Vimos aumentar: queimadas, agrotóxicos, violência contra minorias, armas vendidas, intolerância, o dólar.

Isso tudo sem que estivéssemos enfurnados em casa, com a economia desmoronando, com 300 MIL MORTOS por causa de um vírus.

Afinal, como esperávamos lutar contra isso quando o país passou os dois últimos anos tendo sua capacidade de pesquisa acadêmica desmontada (alguém lembra que escrevi sobre isso em novembro de 2019? E que INCLUSIVE eu falei de VACINA?)? Como esperávamos ter atendimento de saúde se a fatia do PIB destinada ao SUS foi consideravelmente diminuída, e por um ministro que falou que “nem sabia o que era SUS”? Como fazer a economia andar se a chefia executiva se exime em dar suporte financeiro à população?

Mas isso é agora, é o durante. Já pensaram em como vai estar a situação do país quando conseguirmos, enfim, talvez no meio de 2022, ter algum controle sobre essa pandemia?

Já parou para pensar em quantos alunos largaram a escola por falta de estrutura, especialmente os alunos pobres de escolas públicas, que não tiveram acesso à internet? Quantas famílias que teriam o primeiro membro entrando na universidade, daqui a alguns anos? E com o que pessoas com mão de obra menos qualificada trabalharão? E para os que ficaram, os de públicas que perderam um ou talvez dois anos, uma geração inteira se formando com atraso – enquanto alunos de escolas privadas, que não precisam trabalhar, que possuem tablets, continuam estudando, entrando em faculdades… essa vantagem esdrúxula, que um dia será chamada de “meritocracia”?

Como estarão todos os nossos profissionais de saúde, sua saúde mental, vivendo a pressão de escolher quem vai para uma UTI, vendo pessoas morrendo às pencas, com medo de infectar as próprias famílias?

Como ficarão as pessoas que tiveram covid e apresentam sequelas, muitas das quais nem conseguimos mapear ainda? Pulmonares, circulatórias… já tem queda de cabelo, problemas de locomoção, de disfunção erétil, oscilações da pressão, labirintite

Como ficará o próprio sistema de saúde, sucateado, chupado até o caroço além de todas as suas capacidades, e sem reposição adequada por esse governo bunda?

Como estará nossa economia, num cenário onde 50% dos empreendimentos morreram, faliram, fecharam – restaurantes, lojinhas, mercadinhos…? E sem suporte público, pois está tudo sendo privatizado; sem possibilidade de concurso, e vagas que precisam ser abertas, pois a população aumenta, não serão, e os atendimentos ficarão como?

Como ficará a saúde mental da população, pelo menos dos que realmente estão isolados, deprimidos, ansiosos, com crises em pensar em ir à rua?

Tem muita gente preocupada com como as coisas estão, e meus olhos internos só conseguem ver a bagunça que está por vir. É tipo guerra, o governo parece estar trabalhando no esquema da “terra arrasada” – se a gente acabar com tudo, o inimigo não vai ter o que tomar. Isso, contra um vírus. Muito inteligente, não?

E o que podemos fazer? Como diz o maravilhoso do Átila: ficar em casa e esperar a vacina. Se cuidem, cuidem dos seus, dentro do seu possível. Se for comprar, compre local, tente ajudar os pequenos. Se tiver uma graninha sobrando, encontre algum projeto que esteja ajudando os que não recebem ajuda do governo, como o Mutirão do bem-viver, vaquinhas de artistas menores que não estão podendo trabalhar, produtores de conteúdo que você admira e estão fazendo um bom trabalho.

Leia, se informe, respire. Estamos desesperados, mas não sozinhos. Isolados, mas não solitários.

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