O ano das leituras leves

A coisa já tá difícil, gente. Não tenho conseguido me concentrar, e até trabalhar, que é o que preciso para pagar minhas contas, tá complicado.

Eu tenho tendência a livros densos. Meus favoritos são os de teoria social, política, livros que colocam pipocas no cérebro (as editoras Boitempo, Elefante e Autonomia Literária são campeãs). Gosto de ficção distópica – mas o mundo já tá distópico o suficiente. Gosto de leituras com vieses sobre racismo, mesmo quando de “ficção”.

Mas olha, não tá dando. Tudo pesa. Tem dia que eu pego até uns 5 livros, leio algumas páginas e já percebo que não vai rolar. E aí, o que eu faço, que não consigo me concentrar, mas também não consigo ficar sem ler? Apelo para os livros mais leves possíveis.

Porque eu acho importante falar sobre isso? Pq como bibliotecária, eu vejo a discussão “ain, mas então você não gosta de ler” e “mas isso nem devia ser literatura”. “Ah, mas você tá lendo Paulo Coelho, sério?” Se você já ouviu isso sobre seu gosto literário, te dou um conselho: MANDA IREM CAGAR. Afinal, para que você lê? Para se divertir, informar, estudar… ou para mostrar para os outros que você é uma pessoa leitora?

Eu já escutei “você, tão inteligente, estuda Bourdieu, sério que lê isso?”. Leio. Leio até bula de remédio. Leio conto, crônica, poesia clássica, poesia concreta, ensaio. Leio chick lit, sim. E não é de hoje: aos 14 eu dividia meu tempo entre ler Marion Zimmer Bradley, Anne Rice, e alguns clássicos, e ler romances de banca, daqueles de séries Julia e Sabrina. E tudo bem!

Só no último ano eu li todos os romances da Julia Quinn em português. Muito romance água com açúcar, de preferência os que tem um toque de humor, algum sarcasmo, diálogos engraçados. Tem semana que leio um desse por dia. Se olharem minha lista de lidos 2021, vão ver a impressionante quantidade de titulos desse tipo. E sabe o mais legal? Mandei para uma amiga, que está passando por um processo de recuperação de depressão, para ela se distrair. Ela passou para a tia, e então a mãe se interessou – e eu tenho o quê? Uma pontinha de orgulho por estar incentivando pessoas a lerem, por ajudar a distrair nesse período tão difícil.

Leiam o que quiserem, o que funcionar para vocês, ninguém tem nada com isso e ninguém tem que ter vergonha de nada. Vergonha é nosso atual governo, e não ler romance hot que custa 1,99 o ebook (preciso admitir que tem uns livros BEM mal escritos, que eu peguei e larguei – mas isso também é minha opinião).

Ocupe a cabeça como der. Todo mundo tá precisando de um pouco de escapismo.

4 comentários

  1. Não poderia concordar mais! Eu lembro o preconceito que literatura infanto-juvenil sofria na faculdade de letras, sendo que sempre foi a minha paixão.

    Não consigo contar quantas vezes um “caça-feitiço”, “Alice”, “Mágico de Oz”, e inclusive até fanfics, me salvaram em momentos de grande dificuldade.

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