Livro Nós somos o clima, segurado por uma mão, em frente a uma estante com tv e plantas

Nós somos o clima, Jonathan Safran Foer

Título: Nós somos o clima (We are the weather)

Autor: Jonathan Safran Foer (EUA)

Editora: Rocco

Ano: 2020

Páginas: 288 p.

Formato: Em papel

Sinopse: Além de apresentar números, estatísticas e projeções sobre a mudança climática através de um jogo de perspectivas, o autor nos oferece diferentes maneiras de encarar as informações das quais muitos de nós já dispomos sobre a crise planetária que nos afeta de forma desigual e continua a se agravar. Sobretudo, Foer nos desafia a assumir que ela é resultado direto da vida humana na Terra – e cada vida significa um conjunto de hábitos que precisam ser transformados. Hábitos são difíceis de mudar, quanto mais aqueles construídos ao longo de gerações a fio; hábitos são apoiados em edifícios culturais que transcendem as inclinações e emoções. Sem perder de vista essa condição tão humana, Jonathan Safran Foer nos oferece mais do que informações, projeções e anedotas com as quais nos identificamos. Com este livro, ele coloca em nossas mãos uma proposta simples e prática para enfrentarmos juntos a ameaça à nossa própria vida e, quem sabe, dar uma chance às gerações futuras.

Opinião: O que a história de Rosa Parks (ou uma versão dessa história), a força histérica que acomete os seres humanos em momentos de crise e o avô do autor tem em comum com a crise climática global?

Uma das coisas que mais gosto da escrita do Foer é esse poder que ele tem de costurar fatos aparentemente aleatórios em narrativas sólidas, baseadas em fatos e referências válidas – mas olha, ainda não li nenhum título dele de ficção. O outro que foi pra minha mesa de cabeceira (quer dizer, emprestei e parece que nunca mais vai volta – paciência) é o Comer Animais (falo sobre aqui). Dois livros sobre temas difíceis e interligados, e que você sente que passou num moedor de carne depois que termina.

Tem sido muito difícil para mim ler sobre esse assunto. Estamos passando por uma das piores secas do último século, não tem um dia que eu não abra a torneira do chuveiro com delírios distópicos que “pode ser meu último banho quente de chuveiro” (já falei que li distopia demais, né?). Então escolher especificamente esse pra ler… foi meio masoquista da minha parte.

Mas quando eu leio os livros dele, é como se eu tivesse falando com a voz com que já converso dentro da minha cabeça (maluca, eu?). Ele não paga de superior, não fica naquela conversa mole de pessoal de RH animado e coach (“Bora gente, só depende de você!”), pelo contrário. Ele pega exatamente o tipo de problematização que me corrói, e escancara – inclusive tem um capítulo inteiro em que ele está conversando… com a voz na cabeça dele (se eu sou maluca, pelo menos estou bem acompanhada!)

Coisas como a resistência em comer carne, mas a vontade ocasional que ainda aparece (mesmo sabendo o que sabemos, racionalmente ou não); em vontades individuais serem discursos liberalistas – mas que não podem ser ignorados; sobre desistir de tentar, perder a esperança, abandonar a ideia de que as coisas pelo mundo tem jeito – e pq NÃO abandonar mesmo querendo.

A voz de Foer é uma calmaria pra mim. Não me julga, não me impõe, mas me provoca, me faz pensar, dá uns tapas na cara pra eu lembrar que não sou o umbigo do mundo nem um alecrim dourado. Que a maior parte das decisões que tomamos (ou não) é baseada em conforto. Hedonista, não? Mas real. Porque é mais prático para mim ignorar um assunto que me incomoda para continuar fazendo as escolhas que faço sem ter que mudar; e mudar incomoda, dá trabalho (já ouviu algum coleguinha falando “ai não vejo documentário vegano porque não vou conseguir para de comer carne, prefiro não saber”? é, por aí), me faz me responsabilizar pelas minhas opções de forma consciente – sem poder culpar (apenas) o sistema, a cultura, o outro.

É um assunto dolorido para ler agora, mas não tem outro momento melhor para ler… antes de eu ser convencida que desistir é ok. Recomendo.

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