Livro Mulheres e Caça às Bruxas, Silvia Federici, segurado na frente de uma estante

Mulheres e caça às bruxas, Silvia Federici

Título: Mulheres e caça às bruxas (Witches, witch-hunting, and Women)

Autora: Silvia Federici (Itália)

Editora: Boitempo

Ano: 2019 (1ª edição 2018)

Páginas: 158 p.

Formato: Em papel

Sinopse: Por que voltar a falar, hoje, sobre caça às bruxas? Em Mulheres e caça às bruxas, Silvia Federici revisita os principais temas de um trabalho anterior, Calibã e a bruxa, e nos brinda com um livro que apresenta as raízes históricas dessas perseguições, que tiveram como alvo principalmente as mulheres. Federici estrutura sua análise a partir do processo de cercamento e privatização de terras comunais e, examinando o ambiente e as motivações que produziram as primeiras acusações de bruxarias na Europa, relaciona essa forma de violência à ordem econômica e argumenta que marcas desse processo foram deixadas também nos valores sociais, por exemplo, no controle da sexualidade feminina e na representação negativa das mulheres na linguagem. A partir desse debate, a autora nos mostra como as acusações e a punição de “bruxas” se repete na atualidade, especialmente em países como Congo, Quênia, Gana e Nigéria, na África, e Índia. Com apresentação da estudiosa Bianca Santana, a obra conta também com orelha de Sabrina Fernandes

Opinião: Qual a relação entre a caça às bruxas e perseguição às mulheres com o capitalismo? Já parou para pensar nisso? Eu leio sobre história do paganismo desde a adolescência, mas nunca havia ligado essas coisas. Mas olha, quanto mais eu estudo história geral, mas eu percebo a realidade dessa frase. Na Roma antiga, por exemplo, isso já acontecia: senhores endinheirados acusavam fazendeiros de diversos crimes para comprar baratíssimo, em leilões enviesados, as terras que ninguém queria vender. Vemos ainda hoje certos agentes políticos tentando desacreditar lideranças populares através da construção de crenças (olha aí a fake news). Imagina juntar isso tudo, e ainda por cima sobre MULHERES, em uma sociedade patriarcal e clerical (ok, quase sinônimo, isso) fortíssima? Como tirar as mulheres, organizadoras de terras comunais, consideradas curandeiras, respeitadas, da jogada?

Federici é foda, cara. Sério. Eu já acompanhei umas 20 entrevistas dela, leio o que falam sobre ela nos círculos feministas que acompanho. Comprei o Ponto Zero da Revolução assim que lançou. Mas… não havia lido nada dela diretamente, até agora. Shame on me.

A verdade é que os livros dela, em geral, são densos em teoria, são livros que eu saio sublinhando e marcando, são livros que eu estudo, não que eu leio; e eu fui enrolando e empurrando com a barriga porque “não era hora de ler”. Ou eu tava ocupada com outras leituras, ou o mundo tava “me oprimindo” (quase dois anos de pandemia, e contando, cadê saúde mental?) e eu queria ler coisas mais leves. Ou seja, não li.

MAS já havia ouvido que esse livrinho do qual eu falo era o título dela com linguagem mais acessível. Ele foi escrito para atingir público amplo, simplificando a forma de passar informação, com menos termos técnicos e sem tanto aprofundamento nas teorias sociais em que ela se embasa. Não se engane: não é que NÃO HAJA pesquisa científica, pelo contrário (inclusive, muitas notas de rodapé e várias páginas de referência ao final); mas a ideia era torná-lo legível para pessoas de fora do círculo da academia.

São sete capítulos, divididos em duas partes: a primeira, em cinco capítulos, é essencialmente histórica, narrando a construção da relação acumulação de capital (em seus diferentes aspectos) com a caça às bruxas; a segunda parte, com dois capítulos, traz essa relação para a contemporaneidade – inclusive é um choque ler sobre a caça às bruxas que ainda acontece HOJE. Sim, diversos lugares HOJE ainda matam mulheres sob acusação de bruxaria – procuram, lincham, emboscam, constrangem.

Meu livro tá cheio de sublinhados e marcações, e recomendo fortemente a leitura. É bem curtinho, os capítulos são independentes (a maioria são palestras em conferências ao redor do mundo ou artigos que foram publicados em locais diferentes), dá pra ler devagar e ir absorvendo as informações.

Os dois livros mais conhecidos e mais vendidos da Federici no país (O ponto zero da revolução e Calibã e a Bruxa) foram traduzidos para português pelo Coletivo Sycorax, que disponibiliza o pdf de ambos para baixar gratuitamente nesse link.

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