Resenha Sobre a escrita, Stephen King

Sobre a escrita, Stephen King

Título: Sobre a escrita (On writing)

Autor: Stephen King

Editora: Suma das Letras

Ano: 2015 (1ª ed. 2000)

Páginas: 256 p.

Formato: Digital

Sinopse: Eleito pela Time Magazine um dos 100 melhores livros de não ficção de todos os tempos e vencedor dos prêmios Bram Stoker e Locus na categoria Melhor Não Ficção, Sobre a escrita – A arte em memórias é uma obra extraordinária de um dos autores mais bem-sucedidos de todos os tempos, uma verdadeira aula sobre a arte das letras. O livro também não deixa de lado as memórias e experiências do mestre do terror: desde a infância até o batalhado início da carreira literária, o alcoolismo, o acidente quase fatal em 1999 e como a vontade de escrever e de viver ajudou em sua recuperação. Com uma visão prática e interessante da profissão de escritor, incluindo as ferramentas básicas que todo aspirante a autor deve possuir, Stephen King baseia seus conselhos em memórias vívidas da infância e nas experiências do início da carreira: os livros e filmes que o influenciaram na juventude; seu processo criativo de transformar uma nova ideia em um novo livro; os acontecimentos que inspiraram seu primeiro sucesso: Carrie, a estranha. Pela primeira vez, eis uma autobiografia íntima, um retrato da vida familiar de King. E, junto a tudo isso, o autor oferece uma aula incrível sobre o ato de escrever, citando exemplos de suas próprias obras e de best-sellers da literatura para guiar seus aprendizes. Usando exemplos que vão de H. P. Lovecraft a Ernest Hemingway, de John Grisham a J. R. R. Tolkien, um dos maiores autores de todos os tempos ensina como aplicar suas ferramentas criativas para construir personagens e desenvolver tramas, bem como as melhores maneiras de entrar em contato com profissionais do mercado editorial. Ao mesmo tempo um álbum de memórias e uma aula apaixonante, Sobre a escrita irradia energia e emoção no assunto predileto.

Opinião: Quando o livro veio à público, em 2000, King já contava com 36 livros publicados (sem falar das crônicas espalhadas em diversos volumes, coletâneas, participações e etc.), ou seja, ele realmente tinha alguma coisa a falar sobre processos de escrita.

Eu sempre gostei de escrever, e isso é bem “fácil” para mim – mas isso não quer dizer que eu escreva BEM, ou que minhas capacidades sustentariam a escrita de um livro; gosto de ler sobre dicas de escrita, mas não que eu coloque em prática, hehehe. Interessante pensar em certos aspectos que ele ilumina, como a influência da nossa história em nosso estilo e processo de escrita, ou quais são as ferramentas que precisamos para montar e escrever bons textos.

King dá muitas dicas práticas, como evitar uso de advérbios (que não sigo pois: adoro; me julguem!), cortar partes do texto, deixar o livro descansar antes de revisar. Me lembra outro interessante aos que querem seguir o ofício de colocar ideias no papel: Zen e a arte da escrita, do Ray Bradbury (o autor de Farenheit 451); mas acho que Bradbury foca mais no PORQUÊ você escreve, enquanto King quer te ajudar a melhorar sua forma de escrever.

Uma observação aqui é MUITO válida: quando o livro foi escrito, uma das únicas formas de publicar algo era encontrar um editor, através de um agente ou não. Não havia a possibilidade palpável da auto publicação, como as plataformas oferecem atualmente – seja formal como o Kindle Direct Publishing, comunidades como Wattpad, “revistas eletrônicas” como o Medium e até financiamentos coletivos (Catarse, Apoia-se). OU SEJA, por pior que fosse seu texto, ele passava pelo crivo de alguém (por pior que pudesse ser o editor/agente também), você recebia alguma validação. Por isso, acho ainda mais importante as dicas que King oferece: se você está disposto a se auto publicar e não conta com alguém para ser seu revisor, é essencial que seu texto já saia minimamente bom.

Dito isso, admito: para mim, mais interessante que as dicas de escrita – não me entendam mal, são ótimas dicas, daquelas que as pessoas pagam uma FORTUNA para ouvir de um coach – é a história de vida. King fala dos períodos difíceis, de não desistir de escrever, e após isso, sobre os vícios em cocaína e álcool, sem romantização e sem cobrir as partes “feias”, mas sem colocar peso demais. Afinal, podem falar muito sobre ele, menos que ele não sabe contar uma história, especialmente a da própria vida (E olha que eu sou suspeita, porque prefiro a escrita do filho dele, o Joe Hill)!

Recomendo. E se você gosta de escrever, guarde com carinho e releia periodicamente, para relembrar todas as vezes que começar a abusar dos advérbios.

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