Livro Donos do Mercado sobre um puff estampado com a planta Costela de Adão

Donos do mercado, Victor Matioli e João Peres

Título: Donos do mercado: como os grandes supermercados exploram os trabalhadores, fornecedores e a sociedade

Autor: Victor Matioli e João Peres

Editora: Elefante

Ano: 2020

Páginas: 340 p.

Formato: Em papel

Sinopse: Como as redes de supermercados cresceram tanto? Carrefour e Pão de Açúcar formam um duopólio? Como o Estado permitiu que isso acontecesse? Que impactos esse gigantismo traz para os consumidores e fornecedores? E para os quase 200 mil funcionários das duas maiores redes? Essas e outras perguntas ecoaram em nossas cabeças por meses. As respostas estão neste livro-reportagem, que destrincha as estratégias que fizeram dos grupos franceses os donos do mercado. E mostra que o preço mais alto não está nas prateleiras.

Opinião: Você sabe como funciona a extensa e mui lucrativa área de negócios dos super e hipermercados? Quem são os donos do mercado, LITERALMENTE?

Eu leio (e assisto) sobre publicidade em mercado há muitos anos. Como eles são organizados para vender mais, como pegar os clientes de calças curtas em suas vontades, a já conhecida sujeira dos estoques, a prática horrível de desligar frezeres (e assim diminuir a vida útil da comida congelada)… Mas como funciona a cadeia de fornecimento? Quais são as leis que (não) regem as práticas mercadológicas? Como eles conseguem FERRAR quase todo mundo que está envolvido nesse bololô – tirando os próprios donos, acionistas e advogados?

Antes de falar do livro, deixa eu falar do grupo de onde os autores saíram: O Joio e o Trigo. São um grupo (coletivo? aglomerado?) de jornalismo investigativo exclusivamente voltado para alimentação. Em parceria com a Editora Elefante (maravilhosa, que ocupa uma prateleira INTEIRA na minha estante) eles escreveram alguns dos livros mais interessantes sobre a situação alimentar atual, e também trouxeram para o país alguns títulos de peso, como o conhecidíssimo Nutricionismo, do Scrynis, livro que inspirou o Michael Pollan no excelente (e para SEMPRE recomendado por mim) Em defesa da comida; e Uma verdade indigesta (da Nestle, e já resenhado aqui)

Pois bem. Esse livro machuca como uma paulada bem dada na hora em que você está precisando receber. Demorei quase um ano para lê-lo, e isso só o torna ainda MAIS recomendável. Eu tive que ler e digerir, e pensar. A cada tópico, meu cérebro processava alternativas e soluções que eu ainda não tivesse pensado.

Porque a verdade é: comprar de grandes supermercados, dependendo de onde você mora ou sua faixa de renda, não é opcional. Você pode rodar mais de hora em certos locais da cidade e não encontrar UM mercadinho de bairro, para apoiar o comércio local. Com a maior parte do país com problemas financeiros e/ou passando fome, não tem como negar o apelo dos enormes e mal cuidados “atacarejos”, onde o volume da compra derruba os preços a valores impraticáveis.

São tantas pontas nesse ninho de mafagafos (tá mais para “de cobra”, mas…) que o texto vai e retorna algumas vezes para tentar te fazer entender a ligação entre todas elas. O “empreendedor brasileiro” que transformou a ideia de “rede de supermercado em realidade; a formação de conglomerados e sua enorme força e influência (política, financeira); o impacto na formação da legislação do país (não diga?); e todos que se foram negativamente impactados nisso tudo: feirantes, fornecedores, agricultores (em especial os pequenos), os empregados desses mercados, e especialmente, a população.

Fora que ler as confirmações das minhas observações e as explicações para elas foi muito interessante. “Como eles conseguem cobrir o preço da concorrência?”, “Porque certas marcas somem da prateleira?” (spoiler: “bullying” opressivo), “Porque tem tantos promotores de empresas e tão poucos repositores do mercado?”, “Como funcionam os impostos que esse povo paga?”

Terminei a leitura ainda mais agarrada na agroflorestal orgânica que entrega cestas em casa, resmungando menos em andar umas quadras a mais para comprar no sacolão do bairro e ensandecida procurando os mercadinhos e mercearias escondidos por aqui.

Recomendo muitíssimo, a Editora Elefante acertando (como sempre) e o povo do Joio, cujo podcast mora no meu… estômago?

Para um pouco mais sobre isso:

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